Economia brasileira deve superar previsões, diz FMI
Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
O diretor-gerente interino do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fischer, disse ontem que o desempenho da economia brasileira está melhor do que o esperado e deverá continuar assim. A afirmação, feita num café da manhã com jornalistas, reforça a expectativa de um crescimento do PIB superior aos 4% inicialmente estimados pelo governo e pelo próprio FMI para este ano. No início da semana, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, projetou uma expansão em 5%.
Essa aposta é corroborada pela previsão positiva que o FMI faz no momento sobre o comportamento da economia nos países industrializados, na América Latina e na Ásia, nos próximos nove meses. Pelos cálculos do FMI, essa perspectiva, mais a percepção interna de consolidação da estabilidade ao longo do ano, abrirão espaço para o Banco Central retomar a estratégia de redução de juros, interrompida no momento por causa das incertezas geradas pelo aperto da política monetária dos EUA.
Na terça-feira, o Federal Reserve, o banco central americano, aumentou os juros em 0,25% pela quinta vez consecutiva desde meados do ano passado. Há sinais de recuperação na Argentina, o Chile está crescendo e o México está indo bem, disse Fischer. E há boas razões para esperar que os países industrializados crescerão bastante pelo resto deste ano.
As dúvidas sobre a longevidade da expansão recorde nos Estados Unidos e o efeito da alta de juros americana não parecem tirar o sono do dirigente do FMI. Ele disse que o Fed está atuando de forma vigorosa para inibir eventuais pressões inflacionárias e previu que a tendência de alta da inflação é alimentada unicamente pelo aumento dos preços do petróleo e se esgotará nos próximos meses, com o retorno desses preços a um patamar mais estável.
Os 24 diretores-executivos que representam os 182 países membros do FMI devem eleger hoje o alemão Horst Koehler para o posto de diretor-gerente da instituição, no lugar do francês Michel Camdessus (leia nesta página). Fischer, que chegou a concorrer à sucessão de Camdessus mas retirou sua candidatura na semana passada, em favor de Koehler, confirmou ontem que deverá permanecer na sua posição de número dois no Fundo.





