Curitiba - A forte crise que atinge a Europa, os Estados Unidos e o Japão não deve atingir severamente o Brasil. É o que preveem especialistas que participaram ontem de um debate promovido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) em Curitiba.
O País deve continuar crescendo, mas em ritmo menor. Em 2010, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi de 7,5%, neste ano deve fechar com 3,16% e, para 2012, as projeções apontam para 3% a 3,5% de crescimento. A boa notícia é que a inflação no Brasil deve cair para 5,55% e, junto com ela, os juros da economia, que podem ficar em 10,06%. A média do câmbio deve passar de R$ 1,66 para R$ 1,75.
O economista e professor da Universidade Positivo e FAE Centro Universitário, Lucas Dezordi, apontou dois caminhos para a crise da Europa: deixar o mercado se ajustar sozinho, o que levaria de dois a cinco anos, ou o Banco Central Europeu entrar com uma política ativa.
Alguns países europeus têm juros dos títulos de dez anos altíssimos, como é o caso da Grécia (26,79%), Portugal (11,44%), Irlanda (8,38%), Itália (6,75%) e Espanha (6,62%). A relação déficit público/PIB em Portugal chega a 5,87%, na Grécia a 7,98% e no Brasil é de 2,5%. A Alemanha hoje tem uma das melhores situações e possui um deficit público de 1,67% sobre o PIB. E, para 2012, a previsão de crescimento do PIB na Europa é de 1%, e de 2,2% nos Estados Unidos.

Emprego
Sob a ótica do mercado de trabalho no Brasil, a previsão do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, é que em 2012 haja continuidade da geração de empregos com possibilidade de aceleração. Além disso, a renda deve continuar em recuperação e o desemprego, hoje em 6,2% no País, deve manter as mesmas taxas ou até pode reduzir.
Apesar do cenário positivo para o emprego, ele destacou que o mercado de trabalho ainda tem sérios problemas como a alta informalidade, que chega a 45% no Paraná, os baixos salários e a alta rotatividade.
Em 2010, o Brasil gerou 2,136 milhões de empregos formais, e o Paraná, 2,8 milhões. Neste ano, o Estado deve chegar a 2,9 milhões de empregos, segundo Silva. Cerca de 84,4% das negociações salariais coletivas no primeiro semestre de 2011 foram com reajustes acima da inflação.

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