Economia brasileira cresce mais que a do resto do mundo
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sábado, 29 de maio de 2010
Francisco Carlos de Assis<BR>Agência Estado 
São Paulo - A economia brasileira crescerá a uma velocidade superior ao ritmo de expansão econômica no resto do mundo em 2011. E um dos indicadores que melhor deverão refletir este descompasso será o saldo da balança comercial. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá entre 4% e 4,5%, o resto do mundo tende a entregar uma taxa de no máximo 3,9%, segundo estimam departamentos econômicos de importantes instituições financeiras, comerciais e industriais. Como resultado deste diferencial, o saldo da balança comercial no ano que vem tende a se situar em um patamar inferior ao projetado para este ano. A equação é simples: com o mundo crescendo menos que o Brasil, é de se pressupor que a importação nacional será maior que a demanda estrangeira por produtos made in Brazil.
O que os analistas não conseguem é reunir consenso em torno do tamanho do saldo comercial. As projeções variam de US$ 8 bilhões a US$ 17,8 bilhões, entre as instituições consultadas pela reportagem, contra previsões para 2010 que apontam para um superávit de até US$ 25 bilhões. A questão é padrão. É crescimento da renda externa versus crescimento da renda interna, afirma o economista da Tendências Consultoria Integrada, André Sacconato, que prevê para o ano que vem um superávit comercial de US$ 17,8 bilhões.
Uma coisa é fato, avaliam os entrevistados: a mediana da Pesquisa Focus em relação ao comércio exterior no ano que vem abriga previsões muito pessimistas. O relatório divulgado pelo Banco Central na segunda-feira reduz de US$ 5,3 bilhões para US$ 4,5 bilhões o saldo entre as exportações e as importações em 2011. Tem gente que exagera, critica o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos.
No BES, a expectativa é de que a balança comercial no ano que vem feche com um superávit de US$ 8 bilhões, saldo entre um volume de exportações de US$ 209,2 bilhões e um montante exportado no valor de US$ 201,2 bilhões. Chama a atenção nos números de Santos a grandeza dos valores exportados e importados, que devem crescer no ano que vem em relação a este ano. As exportações projetadas para o final de 2010, de acordo com o Departamento Econômico do BES, devem somar US$ 175 bilhões e as importações, US$ 161,6 bilhões, o que propiciará um saldo de US$ 13,4 bilhões. Embora as exportações devam crescer no próximo ano, as importações também deverão aumentar porque a nossa economia crescerá a uma velocidade superior às das economias do resto do mundo, afirma Santos. Para ele, mesmo que o governo brasileiro consiga reduzir para 4% a expansão do PIB em 2011, o mundo crescerá a uma taxa inferior.
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, a desaceleração do saldo comercial deste para o ano que vem não deve ser tão acentuada. Pelas previsões da consultoria, o superávit da balança em 2011 fechará em US$ 13,2 bilhões ante US$ 14,9 bilhões neste ano. Os preços que exportamos devem subir mais que os preços dos produtos que importamos. Isso ajuda a melhorar os termos de troca, explica Borges.
Ele acrescenta ainda que o que determina o saldo da balança comercial é o quanto o PIB do mundo e a demanda interna estão crescendo. No que se refere à economia brasileira, a consultoria acredita que as medidas contracionistas que estão sendo colocadas práticas pelo governo vão derrubar o PIB de 6,2% neste ano para 4,1% em 2011. Na outra ponta, o PIB mundial deverá crescer em torno de 3%.
Do lado da demanda, segundo o economista da LCA Consultores, o consumo interno deverá desacelerar de 8,3% para 3,8% de 2010 para 2011. Isso significa que as importações vão devolver muito impulso de 2010 para 2011, diz Borges. O quantum importado, de acordo com ele, deve cair de 28,6% para 5,10% e o volume das exportações deverá crescer de 7,2% neste ano para 8% no ano que vem.


