Curitiba - O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma leve alta de 0,08% em agosto na comparação com julho, de acordo com relatório do Banco Central divulgado ontem. O mercado esperava uma alta mensal média de 0,20% em agosto. As previsões apontavam que o resultado poderia variar de um recuo de 0,38% a uma alta de 0,90%.
O resultado de agosto mostra que a produção industrial com altos e baixos, a inflação persistente, o câmbio em disparada e as incertezas do cenário internacional impactam fortemente a economia brasileira. Este foi o menor crescimento entre os cinco meses nos quais o IBC-Br registrou expansão até agora neste ano. Nos outros três meses houve retração.
Para o professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Magno Bittencourt, a queda do IBC-Br em agosto também é resultado da reação da população ao aumento da taxa de juros, que freia a economia. Ele lembrou que, só neste ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) já realizou cinco altas consecutivas de juros. Com isso, a taxa Selic, que iniciou o ano em 7,25%, agora está em 9,5% ao ano.
Também contribuíram para a redução da atividade econômica, segundo ele, o endividamento das famílias e o aumento do dólar que leva a alta dos insumos importados. De acordo com o professor, isso tudo gera redução nos investimentos por parte dos empresários.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, também concorda que o aumento dos juros e do dólar influenciaram no declínio do consumo pela população. Para ele, um crescimento sustentável da economia teria que ser associado a investimentos públicos e privados.
O BC informou ainda que o IBC-Br mostrou alta de 1,72% na comparação com agosto de 2012 e acumula, em 12 meses, avanço de 2,31%. No entanto, para Bittencourt, estes números não refletem um crescimento sustentável da economia brasileira. Para que isso ocorresse, segundo ele, seria necessária uma menor intervenção do estado sobre a economia brasileira e mais investimentos públicos que estimulariam também o setor privado.
O resultado do IBC-Br em agosto alimenta a perspectiva de desaquecimento da economia brasileira no terceiro trimestre depois do surpreendente desempenho do PIB no período de abril a junho, quando cresceu 1,5%.
Bittencourt prevê que o crescimento do PIB não ultrapasse 3% neste ano. No ano passado, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,9%. No primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro teve crescimento de 2,6% e o do Paraná, estimado pelo Ipardes, de 3,9%. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Economia brasileira cresce apenas 0,08% em agosto
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