A indefinição do cenário argentino continuará a ditar os rumos do mercado acionário brasileiro e outros investimentos especulativos. Sem perspectivas favoráveis no país vizinho, para os próximos dias, analistas afirmam que a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ficará mais uma semana a reboque das oscilações do câmbio e dos juros.
O mercado estará de olho na Argentina, com atenção especial para o leilão das Letras do Tesouro (Letes) e os desdobramentos da crise política.
Conforme alguns analistas, o resultado do leilão das Letras do Tesouro argentino que ocorre amanhã, terça-feira (hoje é feriado na Argentina), é indefinido. O país vizinho tentará colocar US$ 850 milhões em novas Letes.
‘‘Sem uma definição na Argentina, o mercado local continuará muito afetado. Isso porque esse cenário influi principalmente na confiança do investidor estrangeiro’’, explica o gerente de corporate finance da Socopa Corretora, Gregorio Rodriguez.
Se o leilão fracassar, os resultados serão sentidos fortemente no mercado brasileiro. ‘‘O impacto poderá ser terrível’’, diz o sócio da Fama Corretora, Marcelo Levi. As piores consequências, segundo ele, seriam possíveis aumentos de juros e mais oscilação no câmbio.
As preocupações dos investidores continuarão voltadas para a atuação do Banco Central no mercado de câmbio e para uma possível mexida na taxa de juros na próxima reunião do Copom.
A atuação do BC, nas últimas horas de funcionamento do mercado de câmbio na sexta-feira, foi considerada bem sucedida pelos analistas e pode ser uma pista de futuras intervenções. Com a demonstração de força do BC, que fez a cotação recuar, a expectativa dos analistas é positiva. Isso poderá fazer com que a pressão sobre o câmbio diminua no início dos negócios de amanhã. ‘‘O recuo do câmbio poderá gerar uma melhora no Ibovespa’’, acredita Jacopo Valentino, administrador de renda variável do BNP Paribas.
Na sexta-feira, rumores de uma possível reunião extra do Conselho de Política Monetária (Copom), para um aumento na taxa Selic, agitou o mercado. Mas os analistas ouvidos pela reportagem não acreditam em uma mudança nos juros antes da próxima reunião, marcada para 17 e 18 de julho.
Quem está decidido a entrar na Bolsa esta semana, pode aproveitar os baixos valores das ações. ‘‘O preço dos papéis brasileiros comparados aos de outros mercados (Nova York e países emergentes) estão muito baixos. Para o longo prazo, o momento é muito bom para comprar’’, diz Rodriguez.
As empresas com boas perspectivas a longo prazo são as indicadas pelo analista. ‘‘Petrobras não pode faltar na carteira. A empresa está investindo muito na pesquisa de novas bacias’’, explica Rodriguez. ‘‘As boas perspectivas de contratos futuros de exportação da Embraer tornam as ações da empresa bastante atrativas’’, diz.
Outra dica são as ações do setor de telecomunicações. ‘‘O preço está muito baixo. A perspectiva é de que os papéis tenham valorização’’, prevê o analista do BNP Paribas, Jacopo Valentino.

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