Economia apresenta sinais de recuperação em março
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de março de 1998
Agência Estado 
A economia brasileira começa a dar tênues sinais de recuperação da atividade a partir do final de março. As vendas de papelão ondulado para embalagem, um clássico indicador sobre como se comportará a atividade industrial nas semanas seguintes, já apresenta, em março, crescimento de 3% com relação a março de 97, segundo a sondagem da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Esse é um dos dados a serem apresentados amanhã pelo secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, na divulgação de mais uma edição do Boletim de Análise Macroeconômica.
Barros deixa a Secretaria nesta semana, para assumir a secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), de onde coordenará ações para reduzir o déficit da balança comercial brasileira. Seu posto será ocupado por Amauri Bier.
Os dados que Mendonça apresentará mostrarão que a atividade econômica começou uma trajetória de queda a partir de outubro, com o início da crise asiática, mas estabilizou-se durante os meses de janeiro, fevereiro e março. O primeiro trimestre do ano vem sendo apontado, nas análises da equipe econômica do governo, como o mais difícil de 98. Já há alguns sinais antecedentes de retomada da atividade, disse o secretário-adjunto de Política Econômica, Rogério Mori. Ele cita o crescimento de 10% nas vendas de bens de capital em março, em comparação com março de 97, também apurado pela Sondagem da Fiesp. O boletim fará uma análise mais aprofundada sobre as causas da deterioração das contas do governo federal no ano passado. As estimativas do início de 97 apontavam para um superávit primário de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o resultado foi um superávit de apenas 0,3%. Haverá uma análise sobre o que dificulta o ajuste das contas do governo federal a curto prazo, como o pagamento de precatórios e o reconhecimento de dívidas não contabilizadas anteriormente, explicou Mori.
Na área externa, o boletim continuará analisando os impactos da crise asiática sobre o comércio exterior brasileiro. Foi feito um estudo sobre o comportamento do preço das commodities a partir de outubro. O Brasil foi beneficiado com a queda nos preços internacionais de commodities que importa, como trigo e petróleo. Por outro lado, as commodities mais exportadas pelo País, como café e suco de laranja, mantiveram seus preços.


