Curitiba - O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Eduardo Requião contestou, ontem de manhã, a afirmação da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) de que não estaria cumprindo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STJ), que determinou que o porto garanta a exportação de soja transgênica.
  Segundo Eduardo, assim que foi comunicada da decisão do STJ, a Appa começou a procurar um meio de abrir espaço para a saída da soja transgênica. Um saída emergencial, de acordo com ele, foi estabelecer, em acordo com a Bunge, o uso do terminal e do berço da empresa para a exportação da soja modificada. ‘‘Com isso, as questões técnicas foram resolvidas’’, disse.
  A ABTP não concorda com essas afirmações. Na segunda-feira, a entidade entregou uma petição na Vara da Justiça Federal em Paranaguá denunciando o não cumprimento da liminar que garante a exportação da soja geneticamente modificada pelo porto. A associação reclama que apesar da decisão judicial estar em vigência desde segunda-feira da semana passada, até agora nenhuma soja transgênica saiu pelo porto. Exige, ainda, que a exportação da soja transgência seja aberta para todos os terminais e não apenas para a Bunge.
  A ampliação do escoamento do produto, de acordo com o superintendente da Appa, exige uma análise do volume a ser escoado e o estabelecimento de uma nova logística do porto para a saída do produto. A empresa Paza, segundo ele, já ofereceu um armazém novo para guardar a soja que chegar ao porto. A posição da ABTP, para ele, tem natureza política. ‘‘É uma queda de braço com o porto. A Paza e a Bunge têm capacidade para armazenar 190 toneladas, o equivalente a dois silos’’, afirmou.
  O diretor geral da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, rebateu as declarações de Eduardo Requião e disse que ‘‘se há alguém político nesta história é o governo e a Appa. Só queremos trabalhar e gerar divisas para o Brasil‘‘, afirmou.
  Eduardo Requião se defendeu, ainda, argumentando que até o momento os produtores não descarregaram nenhuma soja transgênica nesses terminais. Até agora, segundo ele, apenas 21 caminhões com soja modificada foram comprados pela Coamo, mas não chegaram a ser escoados pelo porto porque a empresa vai transformar o produto em óleo de soja para posterior exportação. (Colaborou Andréa Bertoldi)

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