A Telefónica disputou com a Telmex o controle da Telecom Italia e, associada a instituições financeiras italianas, levou a melhor. A disputa entre as empresas, que começou na América Latina, se expandiu à Europa. Quando a Portugal Telecom recebeu uma proposta hostil de compra do grupo português Sonae, o bilionário mexicano Carlos Slim Helú adquiriu uma participação na empresa e apoiou os atuais controladores contra a oferta.
Os espanhóis, por outro lado, votaram por mudanças no estatuto que favoreceriam o grupo Sonae. A Telefónica tem quase 10% da Portugal e é sócia da empresa, com participações iguais, na Vivo. A Telefónica e a Telmex têm ativos importantes no Brasil e a consolidação do mercado só não avançou mais porque muitas vezes a legislação não permite.
''É como o jogo de tabuleiro War, de ocupação de territórios'', afirma Juarez Quadros do Nascimento, ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores Associados. A entrada da Telefónica no controle da Telecom Italia pode criar problemas regulatórios no Brasil. Além de ser dona da TIM, a operadora italiana é uma das controladoras da Brasil Telecom. A regulamentação do setor não permite que uma empresa participe do controle de duas companhias que prestem o mesmo serviço numa região. ''É preciso analisar a documentação, mas existe a possibilidade de superposição entre a TIM e a Vivo'', diz Quadros. A Telefónica tenta provar que não controla a Telecom Itália.
Ao mesmo tempo, a empresa espanhola aguarda o sinal verde sobre a compra de participação na TVA. ''Se não houvesse essa parceria, seríamos engolidos'', afirma Leila Loria, diretora-superintendente da empresa de TV paga. ''Os serviços convergentes exigem muito investimento.'' Ela discorda da visão de que o importante hoje é a banda larga. ''Esse mercado de banda larga não existe mais isoladamente.'' (R.

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