E se não existissem as fraldas descartáveis?
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terça-feira, 22 de agosto de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Uma das principais características da sociedade moderna é a falta de tempo. Por isso, tudo que é prático é muito bem vindo. Assim acontece com as fraldas descartáveis para crianças. O que antes era privilégio de poucos - em um passado recente, hoje é regra de consumo sem distinção de classe social. E os pais modernos evitam até pensar na hipótese de um dia usar fraldas de tecido em seus filhos.
O jovem casal Gentil Honório da Silva Junior e Fernanda Gomes Silva nem sequer admite a possibilidade de cuidar da filha Júlia, de seis meses, sem as fraldas descartáveis. ''O uso de fraldas descartáveis facilita bastante; é só tirar e jogar fora'', diz Gentil. Segundo o casal, o gasto mensal com fraldas descartáveis fica em torno de R$ 80,00. ''A gente não se liga muito em promoção e compra as fraldas cada vez que precisa'', dizem.
Na casa do consultor empresarial Dominic Schoof e Jussara, a despesa com fraldas é dobrada. O casal tem duas filhas, uma de dois anos e meio e outra de seis meses, e ambas usam fraldas descartáveis. As meninas consomem seis fraldas por dia em média, ou seja, quase 200 unidades mensais. Por causa da despesa, que pode chegar a R$ 250,00 por mês, o casal sempre procura o produto nas promoções. O consultor afirma também que ''dá muito trabalho'' trocar a fralda descartável e nem sequer cogita pensar como isto era feito antigamente.
Para a advogada Débora Domingues, ''antigamente'' representa menos de 20 anos, quando ouvia a mãe dizer que ''a fralda descartável é um produto muito caro''. Segundo ela, hoje existe muita concorrência e a maioria pode comprar o produto. Débora tem uma filha de oito anos e um filho de apenas 10 meses, o Lucas, que estava com ela em um supermercado. ''Ele é uma máquina de gastar fraldas'', diz em referência ao consumo diário do menino, que é de cinco unidades, em média. Ela gasta R$ 84,00 por mês com o produto e aproveita as promoções para fazer estoque. ''As fraldas facilitam muito o trabalho das mães e não dá para imaginar cuidar de um criança sem elas'', afirma.
A pediatra Nisba Volpi trabalha em dois postos de saúde do Município, é especialista em Saúde da Família e atende também em seu consultório particular. Segundo ela, as fraldas descartáveis se tornaram acessíveis à maioria da população. ''Nos dias de hoje é muito difícil encontrar alguém que ainda use a fralda de tecido'', afirma.
Comparando os dois tipos de fraldas, a pediatra considera que as descartáveis são bem mais práticas e absorvem melhor. Ela explica que as fraldas de tecido mantinham a pele úmida e, além disso, as mães costumavam colocar calças plásticas por cima, o que abafava ainda mais a umidade.
De acordo com a médica, na hora da troca é necessário fazer uma boa higiene na criança, passando algodão molhado principalmente nas dobras. Os lenços umidecidos devem ser evitados. Nisba também recomenda que a fralda seja trocada de cinco a seis vezes por dia. No caso de recém-nascidos, a troca pode chegar a 12 vezes ao dia.


