É preciso privatizar tudo, diz Xavier
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sábado, 11 de abril de 1998
Carmem Murara e Jorge Eduardo 
Kraw PenasPrimeiros passosFernando Xavier Ferreira, presidente da Telebrás, em sua casa em Curitiba: Peguei a fase heróica da Telebrás. O Brasil tinha cerca de mil empresas de telefoniaQuando o governo federal bater o martelo e anunciar a venda do Sistema Telebrás para a iniciativa privada, o Brasil terá um desempregado ilustre. O presidente da Telebrás, o paranaense Fernando Xavier Ferreira, de 49 anos, já se prepara para deixar o cargo, que perderá sua razão de existir, mas não sem antes deixar a casa em ordem. Até o final de julho, prazo previsto para a privatização total do sistema, Xavier Ferreira tem a função de organizar a venda de uma das principais estatais do País. Assim que ficar concretizada a privatização, estarei procurando emprego, diz em tom de brincadeira.
Xavier Ferreira conta que ainda não sabe o que pretende fazer depois, mas por sua experiência certamente estará na mira de uma das empresas que assumirão as teles. Sobre seu futuro profissional, ele tem uma certeza: não vai seguir o caminho adotado por grande parte dos grandes executivos das estatais. Detesto ser consultor, porque gosto da função de executivo. Gosto de liderar e ver acontecer, diz. Desde a semana passada, ele acumula a presidência da Telesp.
Com um currículo invejável de importantes funções no setor público e privado, a história profissional de Fernando Xavier Ferreira se confunde em parte com a do Sistema Telebrás. Quando começou a trabalhar na Telepar, em 1971, o Sistema Telebrás sequer existia. A Telebrás só foi criada anos mais tarde, e Xavier foi chamado a Brasília para compor o primeiro time da estatal de telecomunicações. Peguei a fase heróica da Telebrás. O Brasil tinha cerca de mil empresas de telefonia, recorda.
Depois de passar dois anos em Brasília, Fernando Xavier Ferreira retornou ao Paraná para cumprir duas missões: reassumir seu trabalho na Telepar e participar da implantação, na Universidade Federal do Paraná, do curso de Engenharia de Telecomunicações, no qual fora formado pela PUC do Rio.
De 1979 a 1984, foi vice-presidente da Telepar e, num certo período do governo Collor, ocupou a direção geral brasileira de Itaipu. Decidi me desligar porque fiquei sem ambiente. O governo Collor ficou complicado, revela, enigmático.
Com sua saída de Itaipu, Xavier Ferreira foi, pela primeira vez, para a iniciativa privada, ao assumir o comando de uma trading, no Rio. Em seguida, passou a ocupar a presidência da Nortel do Brasil. Nessa época pude ver como é estar do outro lado do processo, em uma empresa privada de telecomunicações, diz. Por ter estado dos dois lados, é, com certeza, um dos técnicos do governo mais qualificados para fazer e explicar as privatizações.


