A Sercomtel é a única operadora pública de telefonia do País. Para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende, este fato ''não é um problema em si'', já que ela apresenta ''bons indicadores em relação à qualidade do serviço prestado''.
Apesar disso, ele admite: ''As regras de uma empresa pública são mais rígidas e, em alguns casos, reduzem a capacidade de agir com a rapidez adequada aos diversos movimentos do mercado.''
Rezende, que foi presidente da Sercomtel de 2003 a 2006, ressalta que há outros fatores a serem observados para garantir competitividade: ''o tamanho do mercado em que atua, a necessidade de investimentos, a relação entre os recursos obtidos com a operação e as exigências de inovação tecnológica, diversificação de serviços, marketing''.
Ele lembra que o setor de telecomunicações exige constante modernização tecnológica, grandes investimentos e diversificação de produtos. ''É um mercado no qual os ganhos de escopo e de escala são essenciais para a oferta de produtos a preços competitivos.''
O presidente da Anatel diz que a Sercomtel está certa em buscar a convergência tecnológica. Até o fim do ano, ela pretende agregar o serviço de TV por assinatura à telefonia (fixa e celular) e à banda larga. ''Mas não há dúvida que concorrer com grandes players não é uma tarefa fácil, porque eles têm maior agilidade, maior capacidade de alocação e realocação de recursos, mais recursos para investir e mais clientes para gerar receita''.
Sem defender diretamente a venda da Sercomtel, Rezende afirma que a cidade precisa pensar no papel da empresa e não permitir ''que este ativo pertencente ao poder público se desvalorize''. Para ele, não seria ''ilegítimo trocar'' a Sercomtel por outros investimentos. ''Principalmente na melhoria da infra-estrutura econômica, como, por exemplo, novos parques industriais, voltados para investimentos em tecnologia, ou melhorias na infraestrutura urbana'', sugere. (N.B.)

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