É preciso manter o que foi planejado
São Paulo - O orçamento familiar deve ser tratado como se fosse a contabilidade de uma empresa. Essa é a opinião do consultor de negócios do Senac-SP Alexandre Zanata. ''Assim como as empresas definem missões, as famílias também devem definir a sua missão do ponto de vista financeiro'', sugere ele.
Para que a missão, ou meta, seja atingida, ela deve, então, ser difundida entre os familiares. ''E é preciso criar as estratégias para atingir as metas, exatamente como acontece nas empresas'', explica Zanata. O consultor afirma, porém, que não basta determinar as estratégias: é preciso relembrá-las constantemente aos membros da família para que ninguém se esqueça de como deve contribuir.
Essa estratégia, diz Zanata, é como um ''plano de negócios'' e tem de partir de uma estimativa dos gastos da família. ''Faz-se uma planilha com os gastos estimados da casa e avalia-se o quanto é preciso reduzir deles'', explica o consultor. Ele recomenda que se parta dos gastos fixos: impostos aluguel ou prestação do imóvel, mensalidade escolar, condomínio enfim, aqueles que não há como modificar. ''Eles não podem ser alterados nem reduzidos, então devem ser os primeiros a ser colocados na planilha do orçamento familiar.''
Em seguida a família avalia o quanto sobrou do orçamento e decide o que pode ou não ser incluído nos seus gastos mensais. Ela passa, então, a contar os gastos variáveis: supermercado, lazer, serviços (como água, gás, luz e telefone). ''A família deve estabelecer metas de consumo para cada item que foi incluído no orçamento'', diz Zanata.
A partir daí entra o trabalho de reavaliação do orçamento. ''É preciso acompanhar ao longo do tempo se o que foi planejado está sendo atingido'', alerta o consultor. É o que ele chama de ''orçamento contínuo''. A frequência com que essa reavaliação deve ser feita, ele diz, varia de uma família para a outra. ''É como com as empresas; quanto maior, mais frequentemente se avalia a contabilidade. Se é pequena, com poucos clientes e poucos funcionários, não precisa reavaliar todos os dias'', explica.
O mesmo vale para as famílias. Se há muitos gastos e muitas fontes de renda a avaliação deve ser feita mais vezes ao longo do mês. ''Mas se é uma família pequena, com poucas pessoas e uma ou duas fontes de renda, a avaliação pode ser feita mensalmente, ou até a cada dois meses'', diz. ''A complexidade da situação é que determina a frequência da reavaliação.''
Pensar no orçamento a médio ou longo prazo é outro segredo das empresas que deve ser aprendido pelas famílias. ''Não adianta só pensar em fechar o mês. O ideal seria pensar ao longo do ano'', diz. Isso porque, explica, o que é pequeno em um mês se torna grande ao longo do tempo, seja um dinheiro guardado ou uma dívida. ''Faltar R$ 50 em um mês é pouco. Mas faltar esse valor todos os meses ao longo de 5 anos gera uma dívida grande'', exemplifica.
O mesmo vale para a poupança. ''Se a família junta um pouco que seja a cada mês, ao fim de um ano vai ter um valor que pode representar uma prestação do financiamento da casa, por exemplo. Os valores pequenos se tornam grandes.''





