É preciso fazer a lição de casa
O comportamento negativo dos mercados financeiros ontem sinalizou de forma clara para os parlamentares norte-americanos uma recomendação que o Brasil cansou de ouvir alguns anos atrás: não adiantam promessas, é preciso fazer a lição de casa. Ou seja, a aprovação de um pacote de ajuda ao setor financeiro não é suficiente - e o plano só passou pelo Senado, ainda precisando do aval da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A reação dos players hoje sugere a necessidade de ações que, mais do que salvar os bancos, tenham um efeito na economia real.
Diante da percepção de que a recessão nos EUA é inevitável, que foi ampliada hoje por novos indicadores mostrando a debilidade da economia norte-americana, investidores continuaram saindo de posições consideradas de risco. E a Bovespa, novamente, sofreu com esse movimento. E não foi pouco. A Bolsa, aliás, quase acionou o circuit breaker à tarde, quanto atingiu a mínima, aos 45.113 pontos, em queda de 9,41% - o mecanismo é acionado quando o índice cai 10%.
O fato de o Ibovespa à vista ter rompido os 47.600 pontos e 46.000 pontos teria deflagrado ordens de stop loss no índice futuro, pressionando as operações à vista. Vale lembrar que o mecanismo de circuit breaker utilizado pela Bovespa permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda.
No encerramento, o principal indicador acionário brasileiro registrou uma queda de 7,34%, aos 46.145,10 pontos. Na máxima, chegou a operar ligeiramente no azul, em alta de 0,01% (49.805 pontos). O volume financeiro registrado somou R$ 5,589 bilhões.
Ontem à noite, o Senado dos EUA aprovou por 74 votos a favor e 25 contra o pacote de US$ 700 bilhões de ajuda às instituições financeiras, na maior intervenção financeira do governo desde a Grande Depressão. Para ampliar o apoio à proposta, a versão aprovada incluiu vários acréscimos ao plano negociado no último final de semana, entre eles um total de US$ 152 bilhões em isenções de impostos não relacionadas à crise até a criação de instrumentos para os órgãos reguladores do sistema financeiro enfrentarem a conjuntura, além de outras concessões a vários congressistas. (A.E.)





