É preciso estudar alternativas à soja
Com toda uma cadeia produtiva já instalada, principalmente nos estados do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a soja se tornou a principal matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil. No entanto, com a economia aquecida e o alto preço das commodities no mercado mundial, muitos produtores que ganharam o leilão de biodiesel feito pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) não honraram seus contratos e não entregaram a produção. Agora o Governo Federal estuda novas regras para os leilões e garante que não vai faltar biodiesel no país.
Porém, na opinião da pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Dalziza de Oliveira, ''no momento, o panorama é preocupante.'' Segundo a pesquisadora, é necessário que os produtores recebem subsídios governamentais, como aconteceu com o álcool, e, além disso, que as pesquisas com outras oleaginosas que podem ser opções à soja sejam intensificadas.
''No Iapar, temos estudado o girassol, a mamona e o amendoim como culturas de verão e o nabo forrageiro e o crambe para o inverno. Porém, a cadeia produtiva da soja está pronta e tem um volume enorme de óleo rodando no mercado. Além disso, as outras oleaginosas ainda não têm semente de qualidade e tecnologia desenvolvida. Estamos estudando, mas, por enquanto, não temos conhecimento total dessas culturas em nosso Estado. Ainda existem muitos desafios tecnológicos'', destacou.
Para o coordenador do Programa Paranaense de Bionergia da Secretaria Estadual de Agricultura, Richardson Souza, além das pesquisas, também é importante criar um zoneamento agrícola para cada uma das oleaginosas. ''Somente com o zoneamento há crédito e seguro para o produto. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) já implantou uma usina pioloto para desenvolver processos de produção a partir de todas as materias-primas que o Estado pode produzir'', comentou Souza.(W.S.)





