Quando comparados com os do primeiro colocado no ranking de ICH, os índicadores de educação evidenciam o problema da qualidade da educação brasileira. Singapura tem apenas 2,2 anos de estudo a mais que o Brasil. Isso representa 18,8% de tempo a mais de estudo, mas consideráveis 42% a mais nos resultados de aprendizagem harmonizados e quase 70% a mais no aprendizado ajustado aos anos de estudo, observa Christian Frederico da Cunha Bundt, administrador e membro do Comitê de Economia e Tendências Empresariais do Isae (Instituto Superior de Administração e Economia). Ao fazer essa análise, Bundt conclui que somente aumentar os anos de estudo do brasileiro não suprem a sua real necessidade, que é aumentar a efetividade da aprendizagem. A solução para isso, na visão do analista, está em valorizar a educação, começando pelo aperfeiçoamento da classe docente, passando pela extensão do período de estudos (para integral), até chegar ao salário da classe. Ele também cita melhorias na estrutura das escolas e no material didático e a avaliação do ensino.

Na opinião de Katy Maia, professora de Economia Regional e do mestrado em Economia do Trabalho do Departamento de Economia da UEL (Universidade Estadual de Londrina), a falta de qualidade nos primeiros anos escolares faz com que os alunos cheguem ao ensino médio e ao ensino superior despreparados. Para ela, isso é resultado de políticas de curto prazo. "Não há preocupação de longo prazo."

"Chegamos a um estágio que não adianta colocar recursos. Tem que melhorar a gestão", avalia diretor presidente do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Julio Takeshi Suzuki Junior. Ele observa que o valor investido em educação, de 6% do PIB (Produto Interno Bruto), é um índice maior que o investido em países como EUA e Chile. No entanto, grande parte vai para o ensino superior.

Embora o País tenha conquistado bons resultados na redução da taxa de analfabetismo e na inclusão de crianças na educação infantil, existe uma grande evasão no ensino médio. "Melhoramos no ensino infantil e no ensino fundamental, mas não conseguimos manter o aluno na escola. Boa parte do que se aplica na educação vai para o ensino superior. Se analisarmos os países que tiveram avanço na educação, vemos que eles privilegiaram o ensino básico." (M.F.C.)

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