A maioria dos trabalhadores não ficou satisfeita com a redução do imposto. Contribuintes entrevistados pela Folha ontem, no centro de Londrina, são favoráveis ao fim da cobrança de CPMF. ‘‘Não adianta reduzir tão pouco. Isso não significa nada ao longo do mês’’, disse a dona-de-casa Dilma Pereira. ‘‘Eu gostaria de não ter que pagar. Como isso é impossível, acho razoável uma CPMF de R$ 0,20’’.
O vigilante Agnaldo Leôncio acredita que a redução não vai fazer diferença em seus gastos mensais. ‘‘Ganho um salário de R$ 700 e o dinheiro que pago de CPMF poderia ser usado no supermercado’’, disse. ‘‘Está difícil sobreviver com este salário e tantos impostos’’, reclamou. Com dois filhos, Leôncio paga R$ 110 por mês de prestação da casa.
Para o técnico de informática Fábio Antunes, que não sabia da redução do tributo até ontem, qualquer economia é bem vinda. ‘‘É pouco mas é meu’’, afirmou.
O aposentado Delovico Bagatin também defende economias pequenas. ‘‘Existe um ditado popular que diz que, quem não faz questão de tostão, não chega a um milhão’’, lembrou. ‘‘Qualquer dinheiro que eu economizar com imposto, posso gastar na compra de mercadorias para casa’’, disse. Ele recebe uma aposentadoria mensal de R$ 200.
A professora Clarice Pedrão defendeu o pagamento de, no máximo, R$ 0,10 de CPMF. ‘‘Já estamos pagando muitos impostos’’, disse ela, reclamando da redução modesta.
Quem também gostaria de pagar menos CPMF é o funcionário público Cláudio Oliveira. Ele disse que a queda não terá nenhum reflexo em sua conta bancária com a redução de hoje. ‘‘Faz meses que estou movimentando minha conta no vermelho. Não vou gastar estes reais em nada. A diferença do imposto vai para o pagamento do juro bancário’’. (C.L.)

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