Curitiba - A produção de energia de fontes renováveis e com menor impacto ambiental. É esse o foco de trabalho de pesquisadores e empresários reunidos desde terça-feira, em Curitiba, para participar do IV Congresso Internacional de Bioenergia. O evento apresenta novas tecnologias e novas abordagens na produção de biocombustíveis e energia renovável.
Caso da usina móvel de biodiesel, da Biominas Engenharia de Energias, que tem capacidade de produzir até 120 litros de biodiesel por hora. Instalada sobre um eixo de uma carreta, a usina pode ir até a matéria-prima, o que reduz o custo de logística de produção do combustível. ''Hoje se gasta muito diesel para produzir biodiesel. Com essa tecnologia, a usina vai até onde está a matéria-prima, eliminando custos e agilizando o processo'', explica Luiz Nogueira Dias.
A empresa de Minas Gerais também produz uma versão menor da usina, própria para uso didático. Mas mesmo a usina móvel tem funções educativas. ''Temos um gerador de acrílico, que permite que as pessoas acompanhem todo o processo'', aponta. Segundo Dias, um dos objetivos dos dois modelos de produção de biodiesel é levar tecnologia a pequenos produtores. ''A ideia é disseminar o conhecimento'', completa.
Cana-de-açúcar
Para os produtores de cana-de-açúcar e álcool, a novidade é a possibilidade de implantação de usinas termoelétricas integradas à produção do etanol. A Copel está realizando uma chamada pública que irá permitir que as usinas de álcool que aderirem à ideia possam comercializar a energia elétrica produzida a partir da queima do bagaço de cana diretamente à rede da estatal.
Em todo o Paraná, o potencial de produção nesse sistema pode chegar 600 megawatts, o equivalente a duas usinas como a de Mauá, que irá ser construída nos Campos Gerais. ''O custo de produção de energia elétrica a partir do bagaço é bastante competitivo'', explica Claher Ganzert, do departamento de Geração e Transmissão da Copel. O bagaço de cana é um resíduo da produção do álcool.
A Copel também possui um projeto de produção de energia elétrica a partir dos dejetos da criação de suínos. ''O produtor poderá integrar a geração à rede de energia, e vender o excedente à Copel'', explica Dario Jackson Schultz, engenheiro eletricista da estatal. O projeto, que ainda está em fase piloto, permite que o produtor aproveite o gás metano produzido pelos desejos para produzir energia elétrica através de um gerador.
A empresa também é parte do grupo que trabalha na produção de veículos elétricos. Um dos protótipos do projeto é utilizado no dia a dia da Copel para testes. ''O desafio agora é conseguir produzir no Brasil os componentes. Nosso maior gargalo é encontrar uma empresa disposta a produzir as bateriais necessárias para o veículo'', explica Schultz.
O Congresso Internacional de Bioenergia segue até sexta-feira, em Curitiba. Mais informações e a programação estão disponíveis em www.eventobioenergia.com.br.

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