Agência Estado
De São Paulo
O setor de crimes pela Internet da Polícia Civil de São Paulo apreendeu quatro computadores no escritório de duas empresas do empresário e ex-controlador do Mappin, Ricardo Mansur, em São Paulo, no final da tarde de quinta-feira. Há três meses a polícia seguia pistas para descobrir o autor de um spam, envio de e-mail não solicitado para vários usuários, alertando o mercado brasileiro de que o banco Bradesco passava por séria crise financeira e poderia falir.
Segundo o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, que coordenou a investigação, o e-mail foi enviado para pessoas em pontos precisos no setor financeiro. ‘‘O e-mail continha cifras e fatos sobre o banco como provisões e dívidas, com a intenção de provocar um efeito dominó que poderia afetar o banco Bradesco e todo sistema financeiro’’, diz Lima e Silva.
As investigações envolveram as polícias de Londres e dos Estados Unidos, pois as mensagens anônimas partiam de uma conta do provedor de endereços eletrônicos gratuito norte-americano hotmail. Com ajuda de um software especial para rastrear mensagens, a Polícia paulista conseguiu descobrir que as mensagens estavam partindo de Londres, de um cybercafé (computador público colocado em cafés), dificultando a investigação.
Ao quebrar o sigilo da conta de correio eletrônico nos Estados Unidos, com autorização judicial, os policiais paulistas descobriram provas que incriminam Ricardo Mansur e pelo menos duas de suas empresas em São Paulo. Além dos três meses de investigações e da apreensão dos quatro computadores, a polícia grampeou por 15 dias, com ordem judicial, o e-mail particular de Mansur. A divulgação de boatos com intuito de prejudicar o sistema financeiro pode ser punida com 3 anos de reclusão.
Mansur, que está atualmente em Londres, tornou-se conhecido no mundo dos negócios por comprar empresas em dificuldades, torná-las lucrativas e depois vendê-las, como as fábricas de laticínios Vigor e Leco, a fabricante de alimentos em conserva Peixe e a franquia da Pizza Hut em São Paulo. O mito se quebrou em 29 de julho quando foi decretada a falência do Mappin por causa de um rombo de mais de R$ 1,12 bilhão em dívidas. O Bradesco é um dos maiores credores do Mappin, com créditos superiores a R$ 100 milhões.

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