É hora de parar de reclamar dos juros, avisa Palocci
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Sheila DAmorim<br>Agência Estado 
Brasília O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem que chegou a hora de parar de reclamar dos juros, sentar e negociar como o País irá construir o crescimento que o Brasil precisa. Segundo ele, esse é o recado que o governo quer passar para a sociedade com o lançamento da linha de crédito aos trabalhadores com desconto na folha de pagamento. Ou seja, a equipe econômica tenta se contrapor às críticas de que a diferença entre os juros básicos da economia e a taxa cobrada pelos bancos é grande e que nada é feito para reduzir esse custo adicional, chamado de spread bancário.
Durante solenidade de lançamento da linha de financiamento, no Palácio do Planalto, Palocci fez questão de destacar que a medida foi uma idéia levada ao governo pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, para que o País saísse da condição de apenas reclamar dos juros, para negociar os juros. Segundo Palocci, o processo de negociação levou a um intenso debate entre governo, bancos e sindicatos, durante quase dois meses.
Vocês nem imaginam o quanto foi difícil porque os cinco pontos principais que os bancos queriam era os cinco pontos que os sindicatos criticavam e vice-versa, comentou o ministro. Agora, estamos permitindo que empresários, sindicatos e bancos possam negociar o spread bancário.
O desfecho favorável das negociações não impediu alfinetadas mútuas durante os discursos na solenidade. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, arrancou risos da platéia ao se dirigir ao presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, e questionar: Será que não dá para os bancos reduzirem o spread? É impressionante como vocês (bancos) vivem ganhando dinheiro nas costas do povo.
O presidente da Febraban respondeu que expressão usada não faz justiça ao papel que os bancos desempenham na sociedade. São prestadores de serviços e têm um sistema de atendimento sem igual no mundo. Ferreira afirmou que, assim como no caso do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que cobrou dos bancos a redução dos juros, ele não ficou chateado com o discurso porque isso faz parte do jogo. Ele (o presidente da Força Sindical) tentou deixar expresso o que deseja, assim como todos brasileiros: que as taxas de juros continuem caindo.


