É hora de equilibrar as finanças
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de janeiro de 2005
Marilena Rocha<br>Agência Estado 
Para começar 2005 numa boa, você tem de terminar 2004 pelo menos com bom humor e muita disposição para que tudo dê certo no novo ano. A receita é da economista Maria Tereza Audi, que defende um equilíbrio nas finanças pessoais. Nem um controle excessivo, que vire uma doença e nem gastos por impulso, que levem a pessoa a ficar endividada.
Para quem tem dívidas, a professora de economia, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sugere a busca imediata de uma renegociação. ''O brasileiro ainda tem medo de renegociar dívidas, o que é um erro. Com os juros mais altos do planeta, é natural que hoje o País tenha muitos devedores. Renegociar significa reduzir, diminuir o que se deve'', explica.
Procure o gerente de sua conta, a administradora do cartão ou a financeira para qual está devendo. Insista em condições melhores de pagamento e quando isso acontecer comece a planejar as finanças de 2005. ''Com R$ 2 você compra um bom caderno quadriculado grande, onde toda a sua vida financeira do ano deve ser registrada'', ensina Tereza.
As contas devem ser feitas com muita clareza. Nada de amontoar números. ''Separe por datas e anote tudo o que gasta'', diz.
Quando colocar tudo no papel, você vai se surpreender com despesas desnecessárias. ''Vai descobrir, por exemplo, que está pagando uma tarifa bancária alta. Ligue de imediato para o gerente e negocie algo mais em conta e se não der certo pesquise pois, com certeza, você vai encontrar um banco com uma tarifa mais interessante.''
A economista destaca que todas as previsões são de que a economia brasileira não crescerá muito em 2005. ''Crescerá tanto quanto este ano, mas só em alguns setores. Daí ser fundamental manter-se bem informado para aproveitar as oportunidades.''
Se o aluguel está muito alto, chame alguém para morar com você ou economize na luz, telefone e em outros itens. Se houver alguma possibilidade, mesmo que pequena, poupe. ''Até o fim do primeiro semestre não há perspectiva de redução dos juros. Então não faça dívidas novas'', alerta.
Tereza destaca não ser contrária a dívidas por entender que elas são necessárias para quem quer aumentar o patrimônio. ''Mas muito cuidado, pois o dinheiro que é fácil de pegar, nem sempre é fácil de pagar. Busque os juros mais baixos.''
A economista fala ainda do perigo de sair comprando lembrancinhas para todo mundo. ''O gasto por impulso é um perigo''.
Anotar tudo o que se gasta é fundamental para escapar das ''tentações'' do comércio. ''Mas, cuidado, não seja perdulário, mas também não vire um muquirana. Se uma pessoa poupa é uma virtude, mas se todo mundo no País só poupar, a economia pára'', conclui.


