Embora o forte sobe-e-desce das Bolsas assuste muita gente, o investidor que aplicou em fundos de ações e de carteira livre precisa ter calma. Quem saca precipitadamente costuma realizar prejuízos, em vez de embolsar lucros.
O diretor-adjunto de Distribuição Doméstica da Unibanco Asset Management (UAM), Renato Raglione, tem esta avaliação: ‘‘Entrar nas Bolsas apenas em momentos de altas acentuadas e sair em momentos de quedas bruscas é tudo o que o investidor não deve fazer.’’
Uma desvalorização como a apurada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em agosto, de 17,58%, causa desconforto, mas o mais indicado é não sacar durante períodos como esse. Um exemplo: na segunda-feira, a Bovespa recuou mais 4,71%. Nesse dia, o volume de saques dos fundos foi considerável. Mas as Bolsas subiram 17,11% nos quatro pregões seguintes. Assim, quem sacou precipitadamente na segunda-feira teve prejuízos.
A situação do investidor, hoje, depende da época em que foi feita a aplicação. Quem comprou ações há um ano, por exemplo, viu os mercados se valorizarem bastante. Nesse período, a Bovespa avançou 89,29%. Se a aplicação tiver sido feita na virada do ano, a alta é menor, mas significativa: 68,16%. Já quem investiu em 30 de junho deve estar perdendo dinheiro, caso o fundo tenha desempenho próximo ao do Índice Bovespa (IBovespa), que mede a valorização das 51 ações mais negociadas da Bolsa paulista. De lá para cá, a queda foi de 5,80%. Ou seja, quem investiu há pouco tempo deve esperar.
O diretor de Investimentos do Citibank, Luís Eduardo de Assis, explica: ‘‘É preciso falar algumas obviedades, mas o investidor tem de lembrar que não se pode aplicar nesses fundos com perspectiva de curto prazo.’’ Por isso, não se deve investir em renda variável o dinheiro que será usado para quitar algum compromisso em breve.
O diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, lembra ainda que há vários tipos de fundos de renda variável. Nem todos estão atrelados à variação do IBovespa. Por isso, uma queda desse índice não implica desvalorização das cotas de todos os fundos. O investidor deve acompanhar, especificamente, o desempenho do fundo no qual tem recursos.
Para quem prefere a segurança da renda fixa, o cenário permanece tranquilo. A inflação no segundo semestre deve ficar em níveis baixos, tornando o rendimento real de CDBs, fundos de 30 e de 60 dias e da caderneta bastante atraentes.
O investidor não precisa preocupar-se com a perspectiva de corte na remuneração da caderneta. Na semana passada, o novo diretor de Normas do Banco Central (BC), Sérgio Darcy, disse que o governo estuda a redução no rendimento da poupança, mas a medida não será adotada no curto prazo.

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