France PresseCrise sem fimOperador da Bolsa de Tóquio acompanha com preocupação as cotações: nova onda de instabilidade na ÁsiaO investidor que deseja fazer a passagem do ano sem grandes preocupações ou sobressaltos não pode inventar, deve deixar o dinheiro ancorado em aplicações de renda fixa, que combinam rentabilidade com segurança. Destinação idêntica deve ser dada também ao dinheiro adicional que pintar em dezembro, mês do 13º salário. O investimento em ações voltou a carregar um risco altíssimo, com nova rodada de instabilidade nos mercados alimentada pelo agravamento da crise financeira nos países asiáticos, com foco na Coréia do Sul e no Japão.
A mudança no critério de taxação dos fundos de investimento e no de cálculo da Taxa Referencial (TR), fator que corrige o saldo da caderneta de poupança, não abalou o apelo das aplicações de renda fixa, uma opção segura para quem não pretende enfrentar turbulências no mercado de ações. E tampouco a provável redução das taxas de juro, a partir do corte no piso e no teto de juro que o Banco Central promoveria na quarta-feira, é motivo para afugentar o investidor da renda fixa. A expectativa é de que o piso de juro, espelhado pela Taxa Básica do Banco Central (TBC), recue de 2,9%, corrente neste mês, para algo entre 2,6% e 2,7%, em janeiro.
A tendência, tudo indica, é de manutenção da trajetória declinante dos juros, mas a velocidade e o tamanho da queda devem ser freados enquanto não houver uma acomodação e perspectiva de solução nos países da Ásia. Juro doméstico elevado mantém o capital estrangeiro, de que o governo tanto necessita para tapar o rombo das contas externas, abraçado a títulos de renda fixa no País. Uma revoada de dólares, pelo temor de mudança na política econômica, poderia esvaziar as reservas cambiais e levar o Plano Real a fazer água.
As melhores opções, na renda fixa, dividem-se entre os CDBs, os fundos de investimento financeiro e a caderneta. Os títulos bancários são mais rentáveis, em geral, em aplicações de valor superior a R$ 100 mil. Para valores inferiores e para o investidor que pode deixar o dinheiro aplicado por dois meses, a escolha mais indicada são os fundos de 60 dias.
Embora os preços das ações estejam novamente baixos, após o tombo do mercado, é uma temeridade apostar na retomada de valorização das Bolsas de Valores enquanto persistir dúvidas com os desdobramentos da crise asiática. Até que o cenário se clareie, o mercado deve permanecer sem a participação do capital estrangeiro e movimentado apenas pelos investidores que atuam em rápidas operações de compra e venda de papéis. A atuação desses investidores combinada com o baixo volume financeiro reforça a instabilidade do mercado de ações.

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