É difícil baixar o preço para competir neste mercado
A competição desleal, apontada pelos empresários, fica evidente no preço dos discos. Eles chegam a pagar R$ 110 por um lançamento, que na versão pirata pode ser encontrado por até R$ 4. ''É muito difícil baixar o preço para competir com esse mercado. A gente faz promoções durante a semana para atrair novos clientes, mas a disputa é impossível'', afirma Alexandre Ito, desde 1995 no comando da Detroit Vídeo.
No centro das críticas está a prefeitura de Londrina, que incentivou a abertura do primeiro camelódromo - no cruzamento das ruas Sergipe e Mato Grosso - em janeiro de 2003. De lá para cá, já são 12 shoppings populares instalados, com cerca de 1,2 mil boxes, porém nem todos estão ocupados.
''Cidade nenhuma do Brasil tem isso. Dá vontade de fechar a loja e abrir um camelódromo aqui também'', protesta Odival de Matos, da Delta Vídeo. ''Não vejo saída para o problema, ainda mais com a prefeitura dando aval para a construção desses camelódromos'', reclama o empresário Flávio Toregoe, proprietário da Lucky Vídeo.
Para José Luiz Carvalho, da Phantom Vídeo, os papéis estão invertidos. ''A prefeitura deveria dar suporte ao meu segmento, que paga impostos corretamente, gera empregos com carteira assinada. No final das contas, esse imposto que eu pago serve para a administração municipal bancar os camelódromos''.
O coro dos donos de locadora é engrossado pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Augusto. Para ele, a responsabilidade sobre o problema é do poder público. ''Está faltando atitude contra este crime. Eles se apóiam na lei para não construir um mercado na cidade, mas liberam alvará para abertura de camelódromos sem segurança, higiene, esquecendo de aplicar a lei''.
De acordo com o presidente da Acil, a instalação dos shoppings populares acaba criando má fama para a cidade. ''Londrina está ficando famosa pelos camelódromos. Tem muita gente vindo de outras cidades para trabalhar aqui no mercado informal, e eles já estão reclamando da concorrência''.
O diretor de fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, alega que o órgão não pode ser cobrado sobre o comércio ilegal de DVDs na cidade. ''Nós não fiscalizamos pirataria. O que coibimos é a venda de produtos em espaço público sem autorização, como prevê o código de posturas do município. No caso dos camelódromos, se eles têm o alvará, estão liberados para o comércio'', afirma o diretor.
A responsabilidade pela liberação de alvarás na cidade é da secretaria da Fazenda. Segundo o secretário Wilson Sella, o município não pode deixar de fornecer o documento, pois precisa respeitar a livre iniciativa do dono do imóvel.
''A prefeitura libera os alvarás para funcionamento de comércio, independentemente do tipo de estabelecimento. O comerciante tem o livre arbítrio de vender o que quiser, cabe às Policias Civil e Federal e à Receita Federal fiscalizar o que está sendo vendido'', argumenta Sella.(M.F.)





