E-commerce teve uma tentativa de fraude a cada 6,5 segundos em 2018
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quarta-feira, 13 de março de 2019
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Segundo pesquisa da CyberSource, empresa da Visa, o teste do cartão é o tipo de fraude mais comum no e-commerce brasileiro. Quase metade das transações da operadora (45%) foram atingidas pelo golpe, conforme o Relatório Global sobre Gerenciamento de Fraude em E-commerce 2019, feito pela empresa. O teste de cartão consiste em testar se os dados de um cartão obtido ilegalmente são realmente válidos. Os testes normalmente ocorrem em sites de compras não protegidos, com produtos de baixo valor. Caso a transação seja processada com sucesso, o fraudador consegue confirmar a validade dos dados - se o cartão não está bloqueado ou sem limite, por exemplo - e passa a utilizar o cartão para novas fraudes.
De acordo com o relatório Raio-X da Fraude, da Konduto, empresa de monitoramento de fraude em transações on-line, a cada 45 compras feitas na internet no Brasil, uma é de origem fraudulenta. O relatório levou em consideração mais de 120 milhões de transações realizadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano passado. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro recebeu 220 milhões de pedidos em 2018. Portanto, pode-se dizer que houve, pelo menos, 4,8 milhões de investidas criminosas contra lojas virtuais no País, 553 por hora ou uma a cada 6,5 segundos.
Além de teste do cartão, roubo de conta (42%) e roubo de identidade (40%) foram os tipos de fraude mais comuns no e-commerce brasileiro, conforme o levantamento da Visa, que foi realizado em 2017 e 2018 com 2.800 especialistas em gerenciamento de fraudes de empresas e organizações em 34 países.
A diretora de Soluções para o Comércio da Visa, Maria Isabel Noronha, explica que uma das maneiras mais usadas pelos criminosos para obter os dados dos cartões do consumidores é através do phishing, e-mails que geralmente se fazem passar por mensagens do banco ou de lojas e-commerce e que levam o consumidor a informar os dados do seu cartão a um site falso. Os criminosos também podem invadir a conta de usuários em bancos ou lojas de e-commerce, e usar o acesso para realizar compras fraudulentas. Trata-se do roubo de conta. Quando em posse dos dados pessoais dos consumidores - roubo de identidade -, os criminosos também podem obter crédito ou realizar empréstimos em seu nome, por exemplo.
Orientações
Por isso, uma das recomendações da diretora da Visa é o consumidor estar sempre atento à procedência dos e-mails e a sempre verificar se está acessando o site verdadeiro do banco ou loja virtual antes de realizar uma transação. Além disso, é importante manter um antivírus sempre atualizado no computador e no smartphone e nunca deve enviar dados sensíveis de cartão de crédito (número, código CVV e validade) por e-mail, chat ou mensagem de texto, diz Tom Canabarro, co-fundador da Konduto.
Promoções "imperdíveis", como uma passagem aérea para uma data próxima com 80% de desconto ou um smartphone recém-lançado pela metade do preço, também podem indicar perigo. "Os criminosos utilizam estas 'vantagens incríveis' como chamariz para atrair o consumidor desatento." Antes de efetuar a compra ou transação em uma loja, é importante sempre checar informações básicas, como CNPJ e endereço físico e telefone.
Outras orientações de Noronha, da Visa, é usar senhas fortes e diferentes para cada serviço e fazer compras apenas em sites com boa reputação e certificado de segurança. A reputação das lojas virtuais pode ser checada em sites de Procons ou no Reclame Aqui, por exemplo. Para saber se uma loja possui certificado SSL (Secure Socket Layer), que criptografa a comunicação entre usuário e site, basta procurar o símbolo do cadeado ao lado da barra de endereço do navegador. Mas cuidado, pois sites falsos também podem contar com o certificado, avisa Canabarro. "O fato de o site não ter SSL acende uma luz vermelha, mas o fato de ele ter o HTTPS não significa necessariamente que ele é idôneo."
Habilitar o serviço de notificações de compra no cartão do banco, usar serviços de autenticação de transações com biometria sempre que possível e manter o sistema operacional e aplicativos dos dispositivos eletrônicos sempre atualizados também podem ajudar o consumidor a ficar livre da ação de fraudadores, comenta a diretora da Visa. "O fraudador, de forma ilícita, traz muito prejuízo para toda a cadeia - consumidor, banco e comércio", ela finaliza.



