Pela primeira vez em 20 anos, o e-commerce tem uma estimativa de crescimento nas vendas de apenas um dígito. Segundo o relatório Webshoppers, realizado pela e-bit com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), o comércio eletrônico deverá ter incremento de apenas 8% em 2016, com faturamento total de R$ 44,6 bilhões. Para a Câmara, o aumento de apenas 8% nas vendas em 2016 se deve à queda do poder aquisitivo do brasileiro, especialmente nas classes C e D, que vinham aumentando sua participação nas compras do e-commerce.
Em 2015, o crescimento do setor foi de 15,3%, com faturamento de R$ 41,3 bilhões - resultado considerado "ótimo" pela camara-e.net em face da queda de 8,6% no varejo físico. De 2001 a 2015, o crescimento médio anual do comércio virtual foi de 37%, totalizando 7.509% de incremento, diz ainda a entidade.
Apesar dos resultados melhores que no varejo físico, lojas virtuais sofrem perdas no faturamento. Dono de uma loja de móveis com foco no design em Londrina, a MoBi Design, Fabrício Canônico afirma que, em seis anos de atividade, 2015 foi o pior ano para o e-commerce da empresa, com queda de cerca de 45% nas vendas. "Foi o pior. Não só para nós, mas acho que foram poucos os ramos que tiveram um bom ano. O mercado do e-commerce mudou bastante", diz.
Por causa da qualidade e da variedade maior de produtos, Canônico conta que antes trabalhava com produtos 100% importados. Mas a alta do dólar fez com que a empresa mudasse de estratégia e passasse a oferecer também produtos nacionais. Além disso, o empresário teve de fazer adequações internas a fim de cortar custos, seja com funcionários, seja com economia de energia elétrica. Para 2016, entretanto, ele espera resultados melhores com a reestruturação do site, prevista para breve. "Estamos mudando o site 100% para alavancar as vendas."
O lojista do comércio eletrônico deverá enfrentar preços altos e falta de produtos disponibilizados pela indústria, afirma Carlos Alba, gerente de marketplace do e-commerce Megamamute, de Londrina. Segundo ele, 2015 começou com alta demanda dos consumidores, mas o cenário piorou depois do 2ª trimestre, quando houve inflação dos produtos e as indústrias diminuíram a produção devido à situação de crise. Com isso, a loja viu o ticket médio aumentar – devido à alta dos produtos – mas o volume de pedidos diminuir, fazendo com que o faturamento no último trimestre ficasse mais de 20% abaixo do resultado obtido no mesmo período do ano anterior.
Para 2016, o cenário ainda é incerto, diz o gerente. Porém, como o e-commerce ainda representa cerca de 3% do varejo tradicional, ainda há bastante espaço para crescer. "O e-commerce brasileiro está em período de amadurecimento."

PROMOÇÕES
Neste momento de crise, as datas tradicionais de promoções do comércio eletrônico como o Dia do Consumidor – marcado para o dia 16 de março – a Black Friday e a Cyber Monday - realizadas no final do ano se tornam ainda mais importantes para o consumidor e para o varejo virtual, que veem o crescimento nas vendas crescerem menos que o desejado. "Permitem que o consumidor encontre ofertas com as quais realmente possam poupar e que o lojista consiga vender o que não conseguiu comercializar durante o ano", comenta o presidente da camara-e.net, Ludovino Lopes.

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