O comércio eletrônico segue em ritmo acelerado e apresentou, no primeiro semestre deste ano, crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2011. O dado veio à tona na 26 edição da pesquisa WebShoppers, realizada a cada seis meses pela e-bit e pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net). Neste período, o e-commerce teve faturamento de R$ 10,2 bilhões contra os R$ 8,4 bilhões do primeiro semestre do ano passado.
Na opinião do professor Eduardo Marostica do curso de Marketing e E-commerce do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV), a expectativa é que 100 milhões de brasileiros estejam navegando na internet em 2012, o que significa um acesso cada vez maior do público das classes B e C ao comércio eletrônico. ''Existe uma grande curva de crescimento (do e-commerce) principalmente neste caminho dos públicos da classe C que começa a ter informações das novas tecnologias.''
Para o professor, outra evolução que se pode observar no comércio eletrônico é o aumento no número de consumidores que compram através dos dispositivos móveis. De acordo com dados da pesquisa WebShoppers, no primeiro semestre de 2012, 1,3% das compras foram realizadas pelos dispositivos móveis contra 0,3% no mesmo período de 2011. ''No comércio eletrônico, este é o número que mais cresceu. Era uma modalidade que antes não tinha muita significância, e agora começa a ser contabilizada.''
Entretanto, a expectativa de crescimento do e-commerce brasileiro em 2012 foi revisada para baixo e passou de 25% para 20%. Para Marostica, a revisão é reflexo da crise global, que indiretamente atinge todos os países. ''Mas em detrimento disso, o comércio eletrônico continua crescendo.''
As categorias de produtos mais vendidas foram os eletrodomésticos, saúde, beleza e medicamentos e moda e acessórios. Esta última foi uma novidade no ranking da e-bit, já que no ano passado sequer figurava na lista. Por este e outros motivos, o ticket médio do consumidor brasileiro deve diminuir semestre a semestre. Este último levantamento da WebShoppers levou a um ticket médio de R$ 346, mas a expectativa é que no segundo semestre este valor chegue a R$ 330. Para Willian Costa, diretor de Marketing do Mega Mamute, a tendência de consumo de produtos com valores mais baixos aumenta conforme o brasileiro vai se habituando à compra virtual.
Deflação
A pesquisa também apresentou dados do Índice FIPE/Buscapé, que faz levantamento mensal dos preços dos produtos no comércio eletrônico brasileiro. Dentro do período de 12 meses, foi registrada queda de 7,07% nos valores, principalmente nas categorias de eletrônicos (-14,85%) e telefonia (-13%). Para Pedro Eugênio, CEO do site Busca Descontos, a queda nos preços pode ser justificada pela entrada de novos players no mercado e o consequente acirramento na concorrência.
De acordo com informações do Busca Descontos, o preço do frete também caiu 50%, e 54% dos varejistas utilizaram o frete grátis como recurso promocional. O segmento de moda e acessórios foi o que mais utilizou deste recurso. ''Em uma pesquisa que perguntou ao consumidor qual o diferencial que ele quer dentro de um site, 73% responderam que estariam aptas a comprar se lhe fosse oferecido o frete grátis.''
''Muitas vezes o preço do frete acaba inibindo a pessoa de adquirir o produto'', avalia o professor Eduardo Marostica. Na sua opinião, os empresários do meio digital estão começando a perceber isto e passando a trabalhar com mais sinergia com as transportadoras, mesmo para produtos de menor valor.

Imagem ilustrativa da imagem E-commerce registra crescimento de 21%
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