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E-commerce cresce 68% na pandemia e movimenta R$ 126 bi

Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico apontam que em 2020, setor movimentou R$ 126,3 bilhões, com 11% de participação de mercado

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

 

E-commerce cresce 68% na pandemia e movimenta R$ 126 bi
Eduardo Knapp/Folhapress
 


O comércio eletrônico teve um crescimento bastante expressivo durante a pandemia do novo coronavírus. Em 2020, o setor cresceu 68% e movimentou R$ 126,3 bilhões, com 11% de participação de mercado. Os dados da AbComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) apontam que a tendência de crescimento das vendas digitais que vinha sendo observada nos últimos anos foi acelerada pela Covid-19, que impôs medidas restritivas às atividades econômicas e obrigou a população a adotar normas de distanciamento e isolamento social. Das grandes indústrias ao varejo, todos viram nas vendas digitais o caminho para sobreviverem no mercado durante o período de turbulência causado pela crise sanitária. 


Dos 15 setores avaliados no Relatório E-commerce no Brasil – Abril/2021, da AbComm, dez tiveram alta de mais de 30% de um ano para outro, com destaque para os importados, com crescimento de 91,72%, pet (88,04%), casa e móveis (86,62%), farmácia e saúde (65,22%) e moda e acessórios (63,18%).  


Em meio às incertezas econômicas decorrentes da pandemia, o diretor da indústria de confecções femininas Perfect Way, Wilson Soares Ribeiro Junior, percebeu logo que auxiliar os varejistas a manterem suas vendas era o meio mais seguro de garantir que toda a cadeia se mantivesse em movimento. A indústria maringaense fundada há 18 anos já investia no e-commerce desde 2016, mas os clientes varejistas não estavam preparados para a mudança. “Nossa estratégia foi dar o suporte às multimarcas. Quando veio a pandemia, a gente já tinha toda uma base de tecnologia e nossa operação rodando 80% no formato on-line. Pegamos essa tecnologia e fomos buscar uma parceria com o nosso cliente uma vez que a maioria deles não estava pensando em e-commerce", contou o industrial.  


Em 15 dias, com o esforço de uma equipe de programadores, uma parte da plataforma da fábrica, integrada com o estoque, foi disponibilizada aos clientes. “Não dava para pensar só na indústria. Tivemos que pensar lá na ponta para o negócio não parar. Em 30 dias, demos uma reviravolta”, disse Ribeiro Junior. O faturamento da empresa não cresceu ao longo do último ano. Mas o e-commerce teve uma expansão significativa. Entre março de 2019 e março de 2020, a alta das vendas virtuais foi de 43%. “O amadurecimento que a empresa teria em dois anos, aconteceu em seis meses.”  


“Essa tendência de venda já vinha acontecendo só que o processo estava mais lento porque muita gente achava que não precisava, mas a pandemia mostrou que o futuro é esse e quanto mais rápido as empresas se adaptarem ou se fortalecerem no atacado ou na indústria para o consumidor final, vão conseguir se sair melhor no mercado”, disse o coordenador do Conselho Setorial da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e presidente do Sindivest Maringá, Valdir Antonio Scalon. 


O coordenador destacou que mais importante do que abrir um canal de vendas virtual é investir na logística de forma a reduzir o tempo de entrega e o custo do envio da mercadoria. “As indústrias que estão colocando os seus market place no ar, o que vai determinar o sucesso nas vendas são os canais de distribuição. Um cliente de Brasília que compre um produto em Maringá, seria mais rápido entregar a peça ao consumidor por meio de uma loja física em Brasília. Essa logística vai ser a vantagem na venda.” 


A maioria das indústrias, hoje, trabalha no desenvolvimento ou está ingressando em canais de distribuição virtuais já existentes e Scalon observa a necessidade de investimentos em capacitação de pessoal. “Não é criar um site e colocar no ar. As pessoas têm que achar você no meio virtual. É preciso trabalhar o formato, como vai aparecer para o cliente, e como vai entregar a mercadoria. Onde está posicionado o market place e a visibilidade que vai ter no sistema é que vão determinar o sucesso ou não”, apontou o coordenador.  


INTEGRAÇÃO 

A rede de farmácias Vale Verde, em Londrina, investiu na estratégia de omnichannel, que consiste no uso simultâneo e interligado de diferentes canais de comunicação e que permite a integração entre os ambientes físico e virtual. A diretora de Omnichannel da rede, Carla Caldi, contou que esse era um projeto já em andamento internamente, mas a pandemia acelerou a execução. Além de fortalecer o delivery por meio de uma plataforma de entrega, a empresa reforçou outros canais de divulgação e venda, como as redes sociais e o serviço itinerante Farma Móvel. 


Implementar ações inovadoras em meio à crise sanitária foi um desafio que demandou investimentos financeiros e em capacitação de recursos humanos em um tempo recorde, mas o esforço valeu a pena, segundo Caldi. No primeiro trimestre de 2021, os canais digitais da rede tiveram um crescimento de 1.819% na comparação com igual período de 2020. “Nós buscamos estudar o mercado, o que poderíamos adequar com o que tínhamos disponível, como o iFood, que já existia, mas não havia nenhuma rede de farmácias local utilizando a plataforma. Hoje, temos 21 lojas no aplicativo de entrega.”  


Fomentar novos projetos que ampliem as opções aos clientes e encurtem a distância entre vendedor e comprador é um caminho sem volta dentro da rede de farmácia, afirmou Caldi, que enxerga um grande potencial de expansão. “A jornada do cliente mudou muito nesse momento e a gente precisa olhar mais a fundo, estudar e transformar em oportunidades.” 

 

Tecnologia de conexão ainda é desafio, afirma AbComm 

Entre tantas incertezas econômicas advindas das consequências da pandemia, o fortalecimento do comércio eletrônico no Brasil representou um ganho para os negócios.  Desde o primeiro semestre do ano passado, o setor de vendas on-line avançou o que estava previsto para crescer em cinco anos. De abril de 2020 a março de 2021, os sites de e-commerce em atividade no país tiveram 20,61 bilhões de acessos. Em março deste ano, quando completou um ano de pandemia, o comércio eletrônico registrou 1,66 bilhão de acessos, um aumento de 40% na comparação com igual mês de 2020, segundo dados da AbComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). As perspectivas para este ano são animadoras. Mesmo com o relaxamento das medidas restritivas, o comércio digital segue em alta. “No Brasil, o e-commerce sempre cresceu a dois dígitos por ser uma atividade ainda recente, tanto para lojistas quanto para consumidores e continua forte em 2021”, disse o vice-presidente da AbComm, Rodrigo Bandeira.


Com a adesão cada vez maior de lojistas e consumidores ao comércio virtual, a base de sustentação desse modelo dessa atividade só cresce. Além do aumento do volume de vendas, o comércio eletrônico também contribui positivamente para a geração de empregos na área de logística, marketing e atendimento ao consumidor, setores que contrataram bastante e seguem abrindo vagas.


Um fator limitador, porém, é a tecnologia de conexão. Enquanto não acontece a evolução da atual rede de telefonia móvel, com a chegada do 5G, quem ingressa no mercado on-line tem que lidar com a qualidade do serviço ruim. Há ainda a preocupação em relação à mão de obra. “A logística e a distribuição expandiram, mas nossa grande preocupação é que isso venha a ser uma evolução e expansão dentro de uma condição de capacitação e formação de mão de obra e não uma enxurrada de mão de obra informal”, destacou Bandeira.

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