Do Financial Times
Apertem os cintos. O setor de Internet europeu está atravessando uma séria turbulência, que vem se espalhando para outras ações de tecnologia, mídia e telecomunicações.
Esses setores – o núcleo, mutuamente dependente, da ‘‘nova economia’’ – passou por um abalo na semana passada depois que uma série de aberturas de capital anunciadas por empresas da Internet não despertou o entusiasmo dos mercados.
Nesta semana, a Lycos Europe caiu em sua estréia, a World Online se recuperou, mas tanto ela quanto a Lastminute.com estão sendo negociadas abaixo de seus preços de lançamento.
As quedas de 10% a 15% em um único dia costumam gerar manchetes, mas é preciso colocá-las no contexto.
A Tiscali e a Terra continuam mais de 50% acima das suas cotações em 1º de janeiro, ainda que a Freeserve esteja em queda no agregado do ano.
A volatilidade é parte do jogo no mercado da Internet. Isso posto, o que temos parece ser uma correção. Tiscali, Terra e Freeserve caíram todas pelo menos 35% ante os picos dos dois últimos meses.
Em termos de margens, isso pode ser resultado de um rodízio com ações da chamada ‘‘velha economia’’, que parecem relativamente subvalorizadas.
O mais importante é que o fluxo de novas emissões está erodindo o ágio que a escassez de ações européias de Internet vinha propiciando e encorajando os investidores a distinguir seriamente entre as ações de primeira e as de segunda linha.
Não é coincidência que os maiores perdedores neste mês tenham sido os provedores de acesso gratuito à rede mundial de computadores e as companhias de Internet de menor porte.
Se a abertura do capital da T-Online também encontrar problemas, então todo o setor de telecomunicações, mídia e tecnologia estará com problemas.
Mas, por enquanto, a Europa se parece bastante com os Estados Unidos em julho do ano passado, quando uma correção nos preços das ações do setor de tecnologia foi seguida por uma alta seletiva nos preços das ações.
Cresce no mercado a sensação de que o casamento dos investidores norte-americanos com as ações da ‘‘nova economia’’ terá um final ruim e abrupto.
Segundo essa sensação, o recorde de 5.000 pontos batido pelaBolsa eletrônica Nasdaq no início de março seria menos um indício da chegada de uma nova era e mais um sintoma de uma bolha prestes a estourar.

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