Segundo avaliação do Sincil, reajuste de 7,17% para um aluguel de R$ 1.000 já pode ser mais do que o suficiente para o inquilino deixar o imóvel
Segundo avaliação do Sincil, reajuste de 7,17% para um aluguel de R$ 1.000 já pode ser mais do que o suficiente para o inquilino deixar o imóvel | Foto: Gustavo Carneiro



Toda vez que chega o aniversário do contrato de locação de um imóvel – seja ele residencial ou comercial – é também o momento dos inquilinos brigarem por menores reajustes no aluguel. Ninguém quer pagar mais caro, ainda mais nesta economia morosa, quase parando, que o País vive. Em 2017, esta tônica continua a mesma e poucos proprietários devem conseguir o reajuste completo de 7,17% do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que compreende o período de janeiro a dezembro do ano passado e oscila de acordo com o mês de contrato. Em Londrina, tal índice é utilizado em mais de 90% dos casos.
Pelas contas do Sindicato da Habitação (Secovi), por exemplo, um aluguel de R$ 1.500, que vigorou até dezembro de 2016, saltaria para R$ 1.607,55 agora no início do ano. Algo que hoje, segundo Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil), é um reajuste quase impossível de ocorrer na prática, principalmente em imóveis residenciais de maior valor ou comerciais cujo o IGP-M não está firmado em contrato.
O presidente do Sincil, Marco Antônio Bacarin, explica que o momento econômico é difícil e o número de imóveis disponíveis no mercado está bem acima da média. "Em contratos abaixo de R$ 1 mil, como quitinetes e imóveis pequenos, até é possível aplicar algum aumento. O valor integral, só em casos de contratos públicos ou privados em que não há margem de negociação contratual", explica ele.

Flexibilidade
De forma geral, como a oferta de imóveis é grande, os inquilinos mudam de moradia ou estabelecimento comercial caso o proprietário não seja flexível, mantenha o aluguel fixado ou faça um reajuste mais "camarada" para o cenário atual. "Quaisquer empecilhos nesta negociação fazem o inquilino mudar de imóvel, já que há muitos imóveis desocupados. Ele consegue alugar um valor menor ou de mesmo preço, evitando o reajuste. Este é o tom do mercado hoje".
Aliás, Bacarin relata que em 2016 ninguém conseguiu aplicar o índice cheio ao longo dos aniversários de contrato. "Há inquilinos mudando de imóvel por causa de R$ 100 de diferença. Um reajuste de 7,17% para um aluguel de R$ 1.000 (pouco mais de R$ 70) já pode ser mais do que o suficiente para a pessoa deixar o local. Na minha carteira de clientes, por exemplo, hoje não consigo aplicar esse índice. Tenho negociado para o inquilino não sair e permanecer pelo mesmo valor. Muita gente, inclusive, reivindica para baixar (o aluguel). Os proprietários dos imóveis que têm sido mais turrões perdem o inquilino. De modo geral, estão negociando".
O engenheiro eletricista Fernando Bavia possui um apartamento de três quartos na Gleba Palhano que está alugado desde setembro de 2014. Depois de quatro meses na luta para conseguir alugar o imóvel, ele fechou um contrato direto com o inquilino no valor de R$ 1 mil mensais. De lá para cá, não fez nenhum reajuste. "Fugi da taxa de administração da imobiliária, mas não consegui o valor de R$ 1,2 mil para imóveis deste padrão na região. Por enquanto, o valor está razoável, mas estou na expectativa do reajuste. Para isso, estou esperando o mercado ganhar um fôlego. Quem sabe em meados deste ano?!".

Retomada lenta
Aliás, para 2017, Marco Antônio Bacarin lembra que esta semana foi divulgada uma pesquisa imobiliária em 20 capitais do País, que aponta uma redução de 5,14% no valor do metro quadrado nacional. "Somados ao IGP-M de 7,17% e o aumento no Norte do Paraná do Custo Unitário Básico (CUB/m2) de 9,88%, os empresários e incorporadoras ficaram mais receosas e não lançaram novos empreendimentos em 2016. Hoje temos um estoque em Londrina e no País de imóveis novos para 18 meses se continuarmos as vendas no ritmo atual. Isso faz com que não seja possível aumentar o preço nem para venda e, consequentemente, os alugueis. No segundo semestre deste ano, deve-se voltar a pensar em lançamentos, já que um prédio de médio porte demora cerca de 24 meses para ficar pronto".

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