Dumping trouxe prejuízos e demissões
A prática do alinhamento de preços, segundo os empresários, começa quando um dos concorrentes abaixa o preço do combustível por meio de artifícios criminosos, como a sonegação fiscal, a adulteração e venda de quantidade inferior à cobrada. Com esta margem, ele consegue vender o combustível mais barato. O posto vizinho, perdendo clientes, é obrigado a ceder e nivela os preços, muitas vezes operando no vermelho.
As distribuidoras, como relataram os empresários, precisam manter sua cota de venda e também abaixam artificialmente os preços, para que os postos continuem comprando seu combustível mas descontam esse prejuí-zo cobrando mais caro pelo combustível vendido em postos de outras cidades.
Os empresários afirmam que em decorrência deste ciclo de desonestidade e concorrência desleal, muitos do setor começam a acumular prejuízos. Um dos entrevistados relatou que nos cinco primeiros meses do ano seu estabelecimento ficou devendo R$ 8 mil. Tive que demitir três funcionários e pagar a resci-são, afirmou, acrescentando que um quarto funcionário está com aviso prévio. Foi preciso demitir para enfrentar este momento. Para junho, projeta uma perda ainda maior, em razão da queda recente dos preços. Estou calculando um prejuízo de R$ 17 mil apenas para o mês de junho. Os honestos acabam sendo prejudicados pelos desonestos. Muita gente séria vai falir, garante.
Um dos entrevistados afirmou ter mudado seu ramo de atividade e, com com R$ 350 mil, resolveu investir no combustível. Estou arrependido. Se pudesse, voltaria atrás, desabafou. Tem muita gente séria, mas, tem gente ruim também: sabemos que tem postos que vendem 900 ml de combustível como se fosse um litro. Os clientes nos falam isso constantemente, dizendo que quando abastecem em determinado posto, a média do veículo cai.
No entanto, ele garantiu que desde que está no setor jamais foi procurado por qualquer colega do ramo para praticar o ajuste artificial de preços, o cartel, prática criminosa que está sendo investigada pelo Ministério Público. Ainda não fui notificado pelo Ministério Público a apresentar documentos, mas se eu for vou mostrar que estou quase indo à falência.
Para o grupo de três empresários, houve uma pressão excessiva da imprensa e do Ministério Público sobre os postos, o que motivou a redução absurda nos preços do álcool e da gasolina. Na última semana, postos de Londrina estão vendendo o álcool a
R$ 0,99. O litro da gasolina pode ser encontrado R$ 2,23.
Talvez efetivamente a falência seja o objetivo dos empresários responsáveis pelo dumping. Hoje são 120 postos em Londrina, segundo o Sindicombustíveis, que competem entre si por clientes. Para trabalhar com uma margem de lucro pequena é preciso vender muito.
Com um posto a cada esquina isso fica difícil. Por isso, dizem o sindicato e os empresários, o extremamente complicado mercado de combustíveis em Londrina não pode ser comparado a outros. Em outras cidades, a concorrência é bem menor e os postos acabam vendendo quantidade maior; por isso conseguem trabalhar com uma margem de lucro menor, disse Roberto Fregonese. (L.C.)





