Buenos Aires - Quando o presidente Eduardo Duhalde desembarcar hoje no país, se encontrará com um panorama político, financeiro e social mais complicado do que o que deixou uma semana atrás, quando partiu em viagem à Europa, na tentativa de encontrar respaldo para seu governo. Duhalde desembarcará no mesmo dia em que seu governo enfrentará a primeira greve geral. Além disso, se deparará com os governos das principais províncias do país em estado de rebeldia e negando-se a assinar o acordo fiscal. De quebra, terá que lidar com o nervosismo surgido pela partida do banco francês Crédit Agricole, que abandonará na Argentina os bancos Suquía, Bisel e Entre Ríos (Bersa).
Todo esse cenário está sendo embalado pela nova disparada do dólar, que foi cotado ontem a 3,50 pesos nos bancos. Nas casas de câmbio terminou a jornada em 3,66 pesos, embora durante o dia tenha alcançado 3,80 pesos. Além do pesadelo do dólar, será a primeira vez que um presidente do partido Justicialista (Peronista) sofrerá uma greve geral antes de concluir os primeiros cinco meses de mandato. O peronismo, que apadrinhou os sindicatos durante meio século, possui forte influência sobre o sindicalismo.
A greve prevista para durar do meio-dia à meia-noite foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente, que pretende realizar uma manifestação com 20 mil pessoas na Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo. No próximo dia 29, será a vez da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), que promete paralisar toda a máquina estatal, incluindo escolas e hospitais públicos.
O governo também terá que enfrentar amanhã uma paralisação dos bancários em todo o país. Os sindicatos do setor protestam contra a decisão de partida de pelo menos dois bancos estrangeiros (o canadense Bank of Nova Scotia
e o francês Crédit Agricole), além da ameaça de demissões em massa, que poderiam levar à perda do trabalho de 80 mil dos 120 mil funcionários dos bancos privados do país.
Para suavizar o tenso clima, o governo anunciou que um dos bancos estrangeiros, o Sudameris, já recebeu uma injeção de fundos por parte de sua matriz, da Itália.

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