Buenos Aires – Mais uma vez, o clímax da assinatura do acordo financeiro entre o governo do presidente Eduardo Duhalde e os governadores das províncias argentinas, terá que esperar. A conclusão iminente do acordo havia sido anunciada com estardalhaço pelo governo, que até divulgou lugar e hora – às 17:00 de ontem, na residência oficial de Olivos – para o conclave que removeria do caminho um dos principais obstáculos que bloqueiam a chegada da ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI).
No entanto, o governo cantou vitória apressadamente, e fracassou em sua tentativa de seduzir os governadores a pactar o fim das verbas fixas que a União remetia mensalmente às províncias, para substituí-las por uma porcentagem da arrecadação tributária nacional. Os governadores tampouco estão satisfeitos com a proposta do governo Duhalde para o refinanciamento das dívidas provinciais.
‘‘É o acordo não vai sair tão rápido como havia sido imaginado’’. Desta forma, a contra-gosto, o presidente Duhalde explicou ontem de manhã que talvez, ‘‘ainda esta semana poderia ser concluído o acordo governo-governadores’’. O presidente admitiu que as discussões com os governadores são ‘‘complexas e demoradas’’. Além disso, afirmou que não sabia de reunião alguma entre ele próprio com os governadores, como havia sido divulgado.
Os governadores, tanto do partido de Duhalde, o Justicialista (Peronista), como da União Cívica Radical (UCR), o principal partido da oposição, posicionam-se firmemente contra o governo.
Sem apoio interno, Duhalde diagnosticou sua gestão: ‘‘Estou governando em uma situação de turbulência.’’ Logo em seguida, encadeou uma série de lamentos: ‘‘Nosso país está falido. Esta é a pior crise de nossa História.’’

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