São Paulo – O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, afirmou ontem que se ‘‘esgota esta semana’’ o prazo para o país cumprir com as exigências impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a concessão de novos empréstimos.
Duhalde conseguiu ontem o apoio político dos governadores Partido Justicialista (conhecido como peronista) e estabeleceu o ultimato para que o país adeque-se aos pedidos do Fundo.
Os governadores ratificaram os 14 pontos da carta de intenções firmada um mês atrás para chegar a um acordo com o FMI. Eles também garantiram a Duhalde a anulação da lei de Subversão Econômica, hoje, no Senado e o acordo sobre o déficit fiscal.
Duhalde fez um discurso em tom dramático durante reunião com os governadores provinciais do Partido Justicialista, em Santa Rosa, capital da Província La Pampa, região central do país. O peronismo controla 14 das 24 Províncias argentinas.
O presidente argentino disse que os governadores têm até esta semana para aprovar um pacto de ajuste fiscal para reduzir em 60% o déficit fiscal. Para Buenos Aires, o ajuste será de 50%.
Neste prazo, o Senado também deve aprovar a anulação ou modificação da lei de Subversão Econômica, que tem sido utilizada por juízes para interrogar empresários e banqueiros suspeitos de delitos financeiros. Ambas medidas são pontos centrais das exigências do FMI para a liberação de recursos ao país.
A tarefa mais difícil para Duhalde será definir como será o novo Plano Bonex para sair do ‘‘corralito’’ –a restrição aos saques bancários. Os bancos nacionais e oficiais apóiam o plano de trocar depósitos por bônus do governo, mas a medida encontra forte resistência das entidades financeiras estrangeiras.
Anteontem, Duhalde antecipou sua chegada a Santa Rosa e se reuniu com alguns governadores. O presidente argentino condicionou a antecipação das eleições presidenciais, exigida pelos governadores, a uma ‘‘trégua’’ política até que seja encontrada uma saída para o ‘‘corralito’’ e se chegue finalmente a um acordo com o Fundo.
Alcançado isto, Duhalde teria prometido a rever o cronograma das eleições presidenciais, previstas para setembro do próximo ano.
Diversas manifestações tumulturam ontem a área financeira de Buenos Aires, quando correntistas furiosos confrontaram-se com a polícia. Um grupo tentou serrar as portas do Bank Boston e jogou objetos contundentes contra outros bancos, além de atacar um carro blindado de transporte de valores.

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