Prometendo colocar a economia do país de volta aos trilhos e ao som de mais um panelaço, o presidente Eduardo Duhalde defendeu ontem a criação de uma moeda comum para o Mercosul e disse que Brasil e Chile são países a imitar. Durante sua primeira entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros na Casa Rosada, Duhalde afirmou que no máximo em cinco meses a Argentina deixará de ter dois câmbios, confirmou que ainda esta semana será anunciada a flexibilização do ‘‘corralito’’ e disse ter certeza de que o país receberá ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Enquanto ele falava com cerca de 70 correspondentes de todo o mundo, a Praça de Maio era cercada por policiais que detiveram pelo menos dois desempregados. Outros milhares bloquearam 11 estradas em vários pontos do país. Nas províncias de Santa Fe e Jujuy as vidraças de bancos e escritórios de empresas estrangeiras foram destruídas. Tudo um dia após o presidente ter convocado um fórum de diálogo multisetorial para enfrentar a crise.
Integração - Em resposta à Agência Estado sobre se a Argentina adotará políticas independentemente dos efeitos que elas tenham para os países do Mercosul, Duhalde disse: ‘‘Os países bem-sucedidos têm como características a defesa dos seus interesses nacionais e a união de esforços entre o governo e o setor privado. O Brasil tem essa característica. É digno de imitar.’’ Segundo ele, o Mercosul é o âmbito em que a Argentina deve se desenvolver. ‘‘Precisamos pensar seriamente numa moeda comum.’’
Duhalde repetiu que o corralito é uma bomba-relógio, referindo-se ao confisco das aplicações, mas confirmou que o governo está estudando uma saída. ‘‘Os anúncios serão feitos ainda esta semana.’’ A expectativa era de que as novas medidas saíssem ontem. Duhalde acrescentou que foi pedida ajuda internacional para chegar à melhor solução. Ele afirmou também que entre três e cinco meses a Argentina deixará de ter um câmbio oficial e ficará apenas com o flutuante. O fim do sistema duplo de câmbio é uma exigência do FMI. ‘‘Com uma crise tão profunda como a nossa, não há dúvida de que o FMI vai nos ajudar. Levaremos um plano sustentável e eles vão nos entender.’’ Segundo o presidente, a atual ‘‘depressão’’ econômica é o passo prévio para a anarquia e o caos, ‘‘que pode ter como efeito a violência’’.

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