Buenos Aires – Um dia depois de ter ameaçado renunciar, o presidente provisório Eduardo Duhalde conseguiu o objetivo de assustar o Congresso argentino. Pressionada pela possibilidade de ficar sem presidente pela terceira vez em menos de seis meses, a Câmara de Deputados mobilizou-se rapidamente para debater a eliminação da lei de subversão econômica.
A revogação desta lei é uma das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), sem as quais não liberará a ajuda financeira para o país. Na véspera, Duhalde havia ameaçado as lideranças parlamentares - tanto do governo como da oposição - que renunciaria se esta medida não fosse aprovada. Sem o acordo com o FMI, o governo Duhalde seria insustentável.
A Câmara iniciou os debates no fim da tarde de ontem, e previa-se que a votação somente ocorreria de madrugada. Diversos partidos da oposição pretendiam apresentar uma nova versão da lei, para evitar sua eliminação. A oposição sustenta que a eliminação da lei - que facilita o processo de empresários e banqueiros envolvidos em casos de corrupção - aumentaria a impunidade jurídica.
O dólar manteve-se estável ontem. Nos bancos, a cotação foi de 3,40 pesos. Nas casas de câmbio, houve uma leve queda em relação à quarta-feira (quando fechou em 3,60 pesos) e terminou o dia em 3,55 pesos.
O centro de Buenos Aires foi tumultuado por protestos de uma série de setores sociais. Correntistas furiosos com o ‘‘corralito’’ e Associação de Bancários protestaram contra a partida dos bancos estrangeiros da Argentina. Os bancários também protestavam contra a possibilidade de aprovação da revogação da lei de subversão econômica. Na Avenida 9 de Julio - a mais larga do país - grupos de desempregados que pediam comida e trabalho.

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