São Paulo - Emprestar dinheiro ao Brasil e às empresas e bancos brasileiros passou a ser uma atividade mais arriscada desde ontem, depois que duas agências de classificação de risco de crédito mudaram para pior suas análises do País. No início da tarde, a agência Moody’s Investor Service comunicou que estava rebaixando a sua perspectiva para a nota de crédito do Brasil, de neutra para pessimista. Foi a terceira mudança na avaliação do Brasil este ano. Em fevereiro, a agência adotou uma perspectiva otimista. Em junho, a alterou para neutra e, ontem, para pessimista.
A medida apavorou os investidores, que venderam ativos brasileiros, causando o pior dia do ano nos mercados. Críticos acusaram as agências de piorar ainda mais o sentimento do mercado com as mudanças na nota brasileira. Luis Martinez-Alas, o principal analista de risco soberano para Brasil da Moody’s, disse à Agência Estado que a agência não acredita ter contribuído para o nervosismo do mercado.
No início da noite, outra agência internacional de avaliação de risco, a Fitch Ratings, reduziu a nota do Brasil de BB-para B+, uma classificação equivalente à que a Moody’s mantém para o País desde 2000, B1. As alterações das notas do Brasil afetam também a classificação de Estados e bancos.
Essas agências procuram medir a capacidade ou vontade que um devedor tem para pagar sua dívida, explica o vice-presidente da área de mercados emergentes do JP Morgan, Drausio Giacomelli. Elas atribuem notas a todas as entidades que tomam empréstimos no mercado internacional, sejam países, empresas ou bancos. Os investidores então usam essas notas como referência para os juros que vão exigir da entidade na hora de conceder empréstimos.
Inadimplente no mercado externo até 1994, quando concluiu a renegociação da dívida externa, o Brasil sempre foi classificado como possível caloteiro na praça internacional. Com as reformas da última década, a expectativa do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, até há poucos meses, era de que a nota brasileira subisse três ou quatro degraus, tornando-se investimento de baixo risco, até o fim do mandato do próximo presidente. Agora, essa meta fica um pouco mais distante.

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