Paulo Pegoraro
De Cascavel
O governador Jaime Lerner (PFL) manteve encontro reservado ontem em Cascavel com Henrique Ubrig, presidente da Du pont para a América do Sul, iniciando negociações para projetos que a multinacional quer desenvolver no Paraná, com unidades industriais para processamento e extração de proteínas da soja e outros grãos oleaginosos.
O encontro aconteceu no encerramento do Show Rural, evento de difusão de tecnologias agropecuária e agroindustrial da Coopavel, iniciado segunda-feira, e que atraiu 95 mil produtores rurais e empresários de várias regiões brasileiras e de outros países.
A Folha acompanhou o encontro - no estande da Prefeitura de Cascavel -, do qual participaram ainda o secretário estadual de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, o prefeito local, Salazar Barreiros (PPB) e o vice-presidente da Coopavel, Ibrahim Faiad - ex-secretário nacional de Política Agrícola.
Segundo Eduardo Sciarra, os primeiros contatos com a multinacional (que atua em 135 áreas de tecnologias agroindustriais) foram iniciados há 2 anos. Ontem, Henrique Ubrig avançou as discussões com o governador, e novo encontro deve acontecer em breve.
Lerner frisou ao dirigente da multinacional que o Paraná oferece ‘‘o que é necessário para grandes empreendimentos no setor’’, e citou a matéria-prima disponível no estado, preocupação ambiental, eficiente sistema de comunicações, segurança e qualidade de vida, entre outros ‘‘atrativos’’. À Folha , Ubrig revelou que, além da unidade de proteína de soja, que pode ser instalada em Cascavel, a Du Pont quer desenvolver tecnologias (inclusive equipamentos) ‘‘de segurança alimentar, cada vez mais exigidos pelos consumidores em todo o mundo, desde a etapa da produção da matéria-prima até sua industrialização’’.
A Du Pont, fundada em 1802 nos Estados Unidos por um imigrante francês, está presente em 65 países, tem 75 laboratórios de desenvolvimento de tecnologias, 97 mil funcionários, e fatura anualmente US$ 30 bilhões. Seu presidente para a América do Sul disse que a organização se volta decisivamente para a pesquisa em matérias-primas da agropecuária, porque são renováveis - ao contrário por exemplo de químicos como os derivados de petróleo -, para empregos. Ele citou por exemplo a produção de têxteis derivados do milho, e embalagens de outros frutos da terra.
Ubrig disse ainda que considera importante oferecer aos consumidores produtos geneticamente modificados, porque eles podem ser mais baratos, no cômputo de todo o processo de produção, mas também os orgânicos, ‘‘por serem naturais, de acordo com o que é exigido por consumidores de muitos países’’. Ele frisou que ‘‘não se deve impor’’ os chamados transgênicos, mas sim oferecer alternativas, ‘‘e que a sociedade seja bem informada do que lhe está sendo oferecido, para que possa fazer opção. O ‘‘fundamental’’, completou, é ‘‘não se criar barreiras para avanços da ciência, como no caso dos transgênicos’’.
Show Rural Show O governador Jaime Lerner disse que o Show Rural é ‘‘uma grande mostra da potencialidade do Brasil, com a incorporação da moderna tecnologia’’. O evento ‘‘prova que esta tecnologia está aí, à disposição do homem do campo que quer ter competividade’’. Lerner percorreu campos de demonstração e estandes, de empresas públicas e privadas. Depois, assinou protocolo de apoio para transferência e ampliação de uma indústria local (a Comil) de equipamentos para beneficiamento de cereais, que irá para um dos distritos industriais, investindo R$ 2,65 milhões e acrescentando 63 empregos aos trezentos que já oferece.Multinacional planeja implantar indústria de extração de óleo de soja. Mas projeto ainda não está definido
Edson MazzettoDESCONTRAÇÃOLerner visita estande do Iapar e conversa com os técnicos. Também percorreu as empresas privadas: momentos de descontração e perguntasNEGÓCIOSReunião, portas fechadas, entre governador e Ubrig, da Du Pont, teve presença de Salazar, Sciarra e Faiad