Curitiba- A Delegacia Regional do Trabalho (DRT-PR) autuou as montadoras de veículos Renault e Volkswagen e cinco prestadoras de serviço por irregularidades na utilização de mão-de-obra terceirizada e de temporários. Segundo o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, as empresas contrataram terceirizados em atividades fins nas linhas de produção e usaram de contrato por prazo determinado de seis meses, prorrogável por mais seis meses sob o pressuposto de implantação de terceiro turno de produção.
Entre as outras irregularidades encontradas estão excesso de jornada de trabalho, não concessão de intervalo mínimo de 11 horas entre um turno e outro, manutenção de empregos trabalhando em dias de feriado e aos domingos sem a permissão da autoridade competente, não concessão de descanso semanal e redução do intervalo mínimo de uma hora para repouso ou alimentação sem permissão da DRT. Segundo Serathiuk, a tercerização também foi utilizada para diminuir salários em relação ao piso da categoria.
De acordo com a DRT, as empresas, sem justificativa legal, estavam utilizando indevidamente o trabalho temporário, em desacordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Ao final desse contrato de trabalho, as montadoras dispensavam os funcionários como se fosse por justa causa, com pagamento do aviso prévio indenizado, o que dava direito ao recebimento do seguro-desemprego, benefício que o temporário não tem direito. O temporário deve ser contrato por três meses, prorrogáveis por mais três. A Renault informou que não recebeu nenhuma autuação da DRT. A Volkswagen não quis se pronunciar sobre o assunto.
No final do ano passado, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba denunciou problemas na área de saúde e segurança nas montadoras de veículos, que culminaram no relatório da força tarefa que confirmou diversos problemas no ambiente de trabalho, causadores de doenças no trabalho. Na ocasião, foi detectado deficiência em exaustores e nos sistemas de refrigeração, falta de rodízio na realização das tarefas, trabalhadores terceirizados em linha de produção e insuficiência ou fornecimento de equipamentos inadequados para proteção individual. Entre outros problemas encontrados estavam carência de ajustes ergonômicos em equipamentos de uso dos trabalhadores que leva ao sobre-esforço, falta de trabalhadores nas equipes o que leva também ao sobre-esforço, ausência de ginástica laboral em algumas linhas de produção e redução do intervalo de almoço para 40 minutos sem autorização da DRT.

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