Drogas veterinárias também têm uso livre no PR
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terça-feira, 01 de abril de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
O uso indiscriminado de agrotóxico não é o único vilão nas propriedades do Paraná. As drogas veterinárias também são aplicadas de maneira descontrolada em animais e aves em grande parte das 390 mil propriedades. A afirmação é do médico sanitarista e veterinário, Alfreto Benatto. ''Não há controle algum na venda de drogas veterinárias'', afirma Benatto. Segundo ele, o registro desses medicamentos é feito pelos Ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente.
Mestre em Saúde Pública pela Unicamp, Benatto critica as ''multinacionais do veneno, as cooperativas agrícolas e até as universidades paranaenses'' por estarem, segundo ele, compactuando com o risco de contaminação dos alimentos, solo e animais em todo Estado.
O pesquisador da Unicamp participa hoje de uma reunião com o procurador do Estado Saint Clair Honorato, em Curitiba, para discutir o uso indiscriminado do agrotóxico, conforme denúncia da FOLHA DE LONDRINA.
O estudioso aponta que o Paraná tem sido incapaz de fiscalizar e monitorar esta situação ''por pressão das multinacionais''. Diz ainda que ''a pressão das multinacionais ocorre de forma direta''.
''Aqui no Paraná existe a venda direta via motoboy. Os caras vão lá, mostram o produto para o agricultor e levam direto para ele'', detalha.
As criticas do sanitarista não param por aí. Ele é contundente sobre os financiamentos para projetos agrícolas. ''O agricultor não consegue fazer plano agrícola que não contemple o uso de veneno, quer seja para grande propriedade, quer seja para pequena propriedade. É ir até estas grandes cooperativas e descobrir os estoques de venenos que elas têm.
Perguntado se as cooperativas lucravam com a venda indiscriminada de veneno, Benato é enfático: ''Mas é óbvio. Porque faz parte do pacote tecnológico a venda deste insumo agrícola'', acusa.
A ''pressão'' no uso de veneno data da década de 60, segundo Benatto. O modelo agrícola teria por princípio o uso de fertilizantes químicos, máquinas e veneno. Em suas palestras de orientação para agricultores, Benatto conta a história da criança que nasce e tem que ser alimentada com leite e não com vitaminas da farmácia. ''A terra é a mesma coisa, precisa de produto orgânico e não de veneno ou droga'', compara.
''Vira um círculo vicioso. A mesma coisa acontece com o meio ambiente, se eu planto um pé de feijão e não devolvo a matéria orgânica para o solo, o que acontece? Este solo vai ficar doente. Estas plantas vão ficar doentes. Consequentemente eu vou ter que usar o antibiótico que é o próprio agrotóxico. Isso fecha um ciclo vicioso'', ensina.
Ele explica que o agrotóxico, assim como medicação veterinária é uma ''energia'' que é empregada de fora para dentro do sistema agrícola. Ao contrário da agroecologia, o veneno trata um solo que perdeu produtos orgânicos, que não foram devolvidos, e para resolver este problema utiliza-se adubo químico e agrotóxico. ''Na agroecologia se tem a manipulação do sistema agrícola. É muito mais fácil você ter diversidade e manipular no interior do sistema agrícola as várias energias e com ela você produzir alguma coisa orgânica'', explica.
Das 390 mil propriedades do Paraná, 14% delas, têm estrutura para agribusiness, exportando milho e soja. ''Por parte do governo, temos poucos técnicos na fiscalização capaz e uma imensidão de propriedades.


