Curitiba - A rede de farmácias Drogamed amanheceu ontem com todas as lojas fechadas em Curitiba. Os funcionários foram informados do encerramento das atividades em uma reunião que aconteceu na noite da última quarta-feira, na central de distribuição da rede na Capital. Com isso, cerca de 600 trabalhadores estão desempregados. O grupo orientou os funcionários para aguardarem o aviso para o acerto de contas em casa e a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
De acordo com depoimentos dos trabalhadores, o depósito do FGTS está atrasado há um ano. Segundo os funcionários, o fechamento deve durar 15 dias e a reabertura depende das negociações dos atuais proprietários com grupos interessados na compra da rede.
A Drogamed possui 76 lojas no Paraná. Uma delas, no bairro Água Verde, já tinha fechado as portas no último sábado, como a FOLHA adiantou com exclusividade.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Paraná, Edenir Zandoná Junior, disse que, há cerca de oito meses, a Nissei e duas redes de São Paulo (Droga Raia e Onofre) tinham manifestado algum interesse informal de comprar a Drogamed. Segundo ele, hoje, não há nenhum grupo que esteja em negociação. ''É meio inviável comprar a rede de farmácias em função da dívida que ela tem'', disse. Hoje, a Drogamed tem uma dívida de cerca de R$ 25 milhões com 300 credores. Em Londrina, por exemplo, todas as farmácias da rede foram adquiridas pelo grupo Nissei.
Para Zandoná Junior, o que levou o grupo ao processo de recuperação judicial foi a má gestão e a guerra de preços no setor. De acordo com ele, a margem de lucro bruta no segmento é de 27%, mas as farmácias praticavam descontos superiores a este percentual.
O sindicalista lembrou o caso da rede Ultramed que fechou em 2006 em Curitiba e demitiu cerca de 350 funcionários. Outro grupo que está em processo de recuperação judicial na Capital é a Multifarma que tem um débito de R$ 5,3 milhões com cerca de 60 fornecedores. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba, Ariosvaldo Rocha, disse que a Justiça nomeou uma pessoa para fazer a transição e afastou os sócios da empresa. O sindicato solicitou um processo investigatório no Ministério Público do Trabalho para poder receber informações sobre o que está acontecendo agora com a empresa.
''Amanhã (hoje) vamos ver juridicamente o que faremos em relação aos funcionários'', disse. Ele contou que o sindicato realizou uma reunião na última segunda-feira com 138 trabalhadores que informaram que a rede estava vendendo os produtos com preços baixos.
Rocha pretende tentar liberar imediatamente o FGTS dos trabalhadores e as guias do seguro-desemprego. Ele acredita que terão que ser discutidas na Justiça.
As lojas da bandeira Drogamed surgiram em 1979, mas a rede é de 1919, ano de abertura da primeira farmácia Minerva em Curitiba. Em 1997, as duas bandeiras se uniram sob o comando do empresário Carlos Bueno, hoje proprietário da Callfarma. Em 2000, a marca passou para o grupo chileno Farmacias Ahumada S/A (Fasa).

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