Curitiba - Cerca de 120 farmacêuticos que trabalhavam na Drogamed, rede de farmácias paranaense que fechou suas portas na noite da última quarta-feira, aguardam decisão judicial sobre a eventual falência da empresa para garantir o salário de abril. O Sindicato dos Farmacêuticos do Paraná (Sindifar) informou ontem que deverá negociar as homologações das rescisões de contrato dos profissionais de Farmácia assim que o juízo da 3 Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas se manifeste sobre o encerramento das atividades da rede. A FOLHA recebeu informações extra-oficiais de que a falência teria sido decretada ontem. No entanto, o administrador nomeado pelo juiz, advogado Joaquim Rauli, não quis comentar o assunto. O proprietário da rede, Hugo Rodríguez, não foi encontrado na empresa ontem.
A Drogamed ajuizou ação de recuperação judicial (equivalente à antiga concordata) em dezembro passado. O Sindifar espera garantir a baixa na carteira de trabalho, o levantamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o seguro desemprego dos farmacêuticos ''dependendo do que for decidido'', disse a assessora jurídica do sindicato, Andréa Canisso Trevisan. De acordo com Emir Franceschi, presidente do Sindifar, a Drogamed prometeu que até dia 9 de maio daria aos seus funcionários a baixa na carteira de trabalho com ressalva da falta de pagamento da rescisão.
Até o momento, os empregados da rede de farmácias não têm nenhuma garantia de que receberão sequer o salário de abril. De acordo com o sindicato, o salário de março foi pago em três parcelas, com atraso, devido ao bloqueio de valores devido a ações judiciais contra a Drogamed.
''O farmacêutico é o responsável por tudo lá dentro. É ele quem responde perante a vigilância sanitária e o Conselho Regional de Farmácia'', afirmou Franceschi, lembrando que as lojas da Drogamed ainda guardam diversos medicamentos, inclusive os de venda controlada. O Sindifar disse que quaisquer ações que garantam direitos trabalhistas conquistadas pelo sindicato serão estendidas a todos os farmacêuticos da rede, sejam eles filiados ou não à entidade. O benefício também deve se estender aos demais trabalhadores da rede, já que os outros órgãos de classe envolvidos (como o Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba) estão atuando em conjunto no caso.
A Nissei, maior rede de farmácias do Paraná, com 105 lojas (a Drogamed era a segunda maior, com 76), não manifestou interesse em adquirir a Drogamed após o fechamento das unidades. De acordo com sua assessoria de imprensa, a rede pretende seguir com seu plano de investimentos para 2008, que previa a inauguração de dez ou 15 lojas até o fim do ano, mas não garante que alguma dessas lojas seja uma das atuais unidades da Drogamed. A Droga Raia, rede de origem paulista que vem inaugurando lojas na região de Curitiba, foi procurada pela FOLHA mas não informou oficialmente um eventual interesse na aquisição da rede paranaense.

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