"Nada é tão ruim que não possa piorar". O famoso provérbio inglês mostra, infelizmente, qual é o cenário atual da suinocultura paranaense. Em meio aos elevados custos de produção, o preço do quilo do animal – que havia ganhado um fôlego nos últimos meses – voltou a apresentar queda nesta semana, preocupando os produtores, que têm fechado no vermelho mês a mês. Para piorar a situação, oferta e procura estão desequilibradas, com muita carne disponível no mercado e consumidores pouco empolgados na aquisição da proteína animal.

O início do mês de julho mostra claramente tal situação. De acordo com a Scot Consultoria, este é um momento em que geralmente acontece um incremento de demanda, mas as vendas permanecem fracas. Nas granjas de São Paulo, por exemplo, a arroba teve uma desvalorização de 8,3% em sete dias. No Paraná, o quilo do animal vivo também apresentou uma leve retração. Em 30 de junho, o valor do quilo foi comercializado a R$ 3,64. No meio da semana, caiu para R$ 3,57, atingindo o patamar mínimo de R$ 3,54, queda de 2,74%. O preço médio de 2016 no primeiro semestre fechou em míseros R$ 3,07.

A zootecnista da Scot, Juliana Pila, salienta que os preços estão em queda tanto a granja, como no atacado. "A demanda está muito fraca, mesmo no início do mês. Um pouco disso é que a população ainda não recebeu o salário, mas a situação de forma geral está bem complicada para o produtor".

A dor de cabeça, claro, continua nos custos de produção, devido à alta de diferentes itens, principalmente o milho, que corresponde a 75% da ração dos animais. A especialista comenta que isso está fazendo os animais serem escoados com peso abaixo do normal. Afinal, porcos mais pesados significam investimento maior na granja. "As margens para o produtor continuam muito estreitas. No ano passado, a relação da troca média do País era de 5,21 quilos de milho para um quilo de suíno. Agora, é de 7,08 quilos de milho para um quilo de suíno, uma elevação de 34%. Não vejo que a situação possa melhorar a curto prazo", decreta Juliana.

Frustração

Ao conversar com o suinocultor de Cambé Divaldo Pizaia, é possível entender um pouco do drama dos produtores. Com 1,2 mil animais na granja, ele viu seus custos de produção saltarem de R$ 55 mil para R$ 75 mil em apenas três meses. "Hoje, o quilo do feijão está mais caro que o da carne de porco. E olha que estamos tratando de uma proteína animal".

Pizaia relata que estava na expectativa do valor da carne ultrapassar a casa dos R$ 4, para finalmente cobrir os custos de produção. "Meus custos estão em torno de R$ 4,20 e é desesperador ver o valor do quilo do suíno em queda. Dos seis meses do ano até agora, eu trabalhei no vermelho em pelo menos quatro deles. O preço do milho está na casa dos R$ 42 a saca, e com dificuldade de encontrar na hora da compra".

Um dos fatores primordiais dessa queda dos preços, segundo o suinocultor, é que as grandes empresas e produtores do segmento colocaram no mercado um volume muito grande de carne. "O mercado acaba ficando na mão dessas grandes empresas do setor e o pequeno produtor é bastante prejudicado neste sentido. Não estamos mais com o sinal amarelo ligado, mas sim o vermelho, e não vejo perspectivas de melhora neste ano", finaliza.

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