Dragão chinês esquenta comércio exterior do Paraná
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A China é o maior parceiro comercial do Paraná e inclusive passou a Argentina. Apenas no período de janeiro a maio deste ano, 16% do comércio exterior paranaense - conta na qual entram importações e exportações - foram com o país asiático. Esse percentual equivale a uma negociação de US$ 1,6 bilhão. Os chineses compraram 18% do total de produtos embarcados pelo Estado no período, ou cerca de US$ 950 milhões.
Nos primeiros cinco meses de 2009, as exportações para a China representavam 11,4% do total, somando US$ 506 milhões. Em 2008, o peso do mercado chinês era de 10%. A segunda colocada nas relações bilaterais com o Paraná é a Argentina com 10,3% da corrente de comércio exterior.
Neste mesmo período, entraram US$ 665 milhões em produtos chineses, o que representa 14,2% do total importado pelo Paraná. Em 2008, a China fornecia cerca de 9,5% das compras do Estado.
As exportações do Paraná para a China estão concentradas no complexo soja, em especial na soja em grão, que representa mais de 90% da pauta, enquanto as importações são as mais variadas e envolvem uma lista de mais de 2 mil produtos. O Paraná compra, principalmente, componentes eletrônicos, adubos e fertilizante. ''A China precisa de alimentos e exporta manufatura para o mundo'', disse o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher.
Para ele, os chineses evoluíram na qualidade e na incorporação de novas tecnologias. No entanto, o Brasil está ''perdendo'' a industrialização para a China porque as indústrias preferem ir para lá. Zurcher defende que deveria ser criado um plano para proteger e desenvolver a indústria nacional. Mas, destacou que hoje o câmbio é o principal problema para que o Brasil industrialize menos e importe cada vez mais produtos prontos.
Até a década de 80, a China exportava para o mundo tecidos e vestuário. A partir de 1985 iniciou com eletrônicos, indústria naval e linha branca. Na década de 90, passou para fármacos, áudio e vídeo. Em 2000, foram incluídos computadores e automóveis e, em 2010, entraram telecomunicações, biotecnologia, nanotecnologia e tecnologia aeroespacial.
''O que preocupa é que importamos produtos prontos e exportamos matéria-prima. Com isso podemos perder indústrias e a conta de transações pode se deteriorar rapidamente'', disse.
O professor do curso de Comércio Exterior da Universidade Positivo, Gerson Bittencourt, acredita que o aspecto negativo da relação com a China é que o Paraná serve como um fornecedor de matéria-prima. Ele destaca que a qualidade dos produtos chineses está melhorando, mas o que assusta ainda é a garantia do pós-venda. O lado positivo, para ele, é que o Estado está vendendo mais com o aumento do comércio com a China.


