''Para ganhar este seu salário, eu saio chutando latinha na rua e ganho mais do que você.'' A provocação foi do sogro do jovem vendedor José Arlindo Fancio logo após seu casamento. A ideia do pai da noiva era incentivar o rapaz a trabalhar por conta própria, se livrar das baixas comissões nas vendas e começar a ''ganhar dinheiro de verdade''. Deu certo.
Depois de trabalhar como representante comercial de diversas empresas, Fancio se tornou um empresário de sucesso no setor de confecções. Há 27 anos, ele fundou a Karilu, empresa que possui atualmente 70 funcionários e é referência no Paraná na produção de uniformes escolares, esportivos, roupas para o exército, entre outros artigos. Com três lojas no varejo em Londrina - e se preparando para inaugurar mais uma - a produção da empresa chega a 15 mil peças por mês.
Fancio, 66 anos, relembra a primeira dica dada pelo sogro. ''Ele me disse para vender guarda-chuvas. Duvidei um pouco no começo, mas fui até São Paulo com minha esposa e peguei um mostruário.'' Dirigindo seu Corcel 1971, o rapaz visitava os ''secos e molhados'' de Londrina com o automóvel lotado do produto. ''E não é que o negócio começou a funcionar? Logo arrumei um vendedor em Arapongas que me trouxe diversos pedidos.''
Em pouco tempo, o empreendedor já comandava cinco vendedores e aumentou sua cartela de produtos. Vendia bolsas, luvas, cintos, botões e tudo que achava que teria boa aceitação nas cidades. ''Trabalhava com cerca de 15 empresas e tinha muitos contatos. Como o dinheiro no banco rendia bastante naquela época, conseguia pagar os vendedores apenas com os juros que ganhava. Logo passei para uma Kombi, depois uma camionete, um furgão...'', relembra Fancio.
Representante também de uma indústria de maiôs, biquínis e agasalhos adultos, Fancio percebeu que havia uma demanda grande por agasalhos infantis. Sua esposa, Sineide Sitta, o incentivou a começar a confeccionar o produto. ''O pessoal comprava o adulto, mas queria o infantil. Minha esposa deu a ideia e as empresas de São Paulo abriram as portas para nos fornecer a matéria-prima.''
Nos fundos de sua residência na Vila Casoni, a empresa iniciou as atividades com apenas uma costureira e Sineide produzindo os agasalhos. Sempre prezando pela boa qualidade do produto, as vendas foram aumentando gradativamente. ''O nome Karilu veio das iniciais dos nomes dos meus filhos: Karina, Ricardo e Luciana. Como eu viajava para vender por todo o Paraná, já possuía uma boa clientela'', comenta o empresário.
Com os negócios indo bem, no início da década de 1990 o casal adquiriu um terreno na Avenida Celso Garcia Cid. A demanda por novos produtos foi surgindo e a Karilu iniciou a produção de outros artigos, como shorts e bermudas. Não demorou muito para Fancio e a esposa resolverem apostar também no segmento de uniformes escolares. ''Começamos a fazer os uniformes do Colégio Mãe de Deus, onde minhas filhas estudavam. Depois, arrumei um vendedor que passou a visitar outras escolas. Sempre fazendo uma mercadoria de qualidade, fomos conquistando diversos clientes na cidade.''
Desde a abertura da empresa, Fancio estima que a Karilu cresce em torno de 30% ao ano. Para captar os consumidores em diversos pontos da cidade, o empresário apostou na abertura de lojas no varejo. ''É importante eu ter lojas próximas aos colégios para os quais confecciono uniformes. É uma estratégia para ganhar clientes.''
Nos próximos dias, a quarta loja será inaugurada, agora dentro de um supermercado na região Sul da cidade. ''Pretendemos trabalhar com diversos produtos nestas lojas, inclusive de outras marcas. No futuro, projetamos também abrir uma loja só com artigos esportivos'', complementa o simpático empresário.

Imagem ilustrativa da imagem Dos guarda-chuvas ao sucesso na confecção
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