A ex-ministra da Indústria e Comércio, Dorothéa Werneck, defendeu ontem maior controle às importações, que segundo ela causam dado à economia interna do País, e disse ser necessário colocar em prática as salvaguardas aos produtos importados. ‘‘A salvaguarda é adotada quando o crescimento das importações causa dano ou ameaça. E este é o caso’’, afirmou. Dorothéa esteve em Curitiba para participar do lançamento de um empreendimento imobiliário.
Ela fez um balanço, aos empresários, da situação do País e a crise financeira que atinge a economia nacional e mundial. ‘‘Não há país aberto que tenha grande volume de importação e que não tenha ao mesmo tempo uma estrutura ágil capaz de eliminar a concorrência desleal’’, disse.
Dorothéa definiu como ‘‘delicado’’ o momento em que passa o Brasil, que acumula um déficit interno equivalente a 7% do PIB. O valor é considerado estratosférico para viabilizar qualquer crescimento.
Para sair da crise, a ex-ministra sugeriu que o governo encaminhe com urgência a votação das reformas constituicionais e para isso terá uma ‘‘excelente’’ oportunidade logo na semana seguinte às eleições. ‘‘Com a reeleição do presidente e com os parlamentares assumindo o cargo apenas em março, sobrarão cinco meses para votar as reformas. Neste período não haverá interferência política, pois o Congresso vai estar pensando mais no nacional e não no interesse político eleitoreiro’’, afirmou.
Quanto à fuga de capitais, que ultrapassa os US$ 26 bilhões, a ex-ministra não demonstrou preocupação. Ela lembrou que o governo federal aumentou a poupança interna para US$ 70 bilhões, medida paliativa para enfrentar uma futura crise. ‘‘Temos uma programação de pagamentos ao exterior, que não chega a US$ 10 bilhões, então, se ficármos com US$ 30 bilhões está muito bom’’, afirmou.

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