O ministro da Indústria e do Comércio, Francisco Dornelles, anunciou ontem em Maringá que até o final do próximo ano todas as hidrelétricas e portos brasileiros estarão privatizados. Dornelles fez uma análise positiva da economia do País. ‘‘Todos os números indicam que este ano teremos uma inflação de 6%; houve uma recuperação grande do setor industrial; os preços do café subiram 92% nos últimos 12 meses’’.
Dornelles destacou ainda que o Banco Central acabou de colocar no exterior títulos no valor de R$ 3 bilhões, ‘‘fazendo uma grande economia para o País, reduzindo a dívida externa e aumentando suas reservas’’. Ele disse que recebeu indicadores do setor automotivo de investimentos no valor de R$ 1,7 bilhão. Garantiu que a privatização da banda B da telefonia celular vai promover investimentos de mais de R$ 70 bilhões nos próximos três anos. ‘‘Nós estamos falando de um mercado de privatização com cinco milhões de empresas e 40 milhões de famílias. É o maior programa do mundo’’.
O ministro anunciou que o governo vai lançar um programa voltado para aumentar a participação de pequenas e médias empresas brasileiras de informática no mercado exterior. Dornelles afirmou também que já pediu aos ministérios da Fazenda e da Justiça que sejam tomadas medidas antidumping contra importações de confecções da China. ‘‘Estamos sendo invadidos por essas confecções, com preços abaixo do mercado. Só em 96 o Brasil chegou a perder 30 mil empregos neste setor. A abertura da economia brasileira é irreversível e é o grande instrumento de nossa política monetária. Por isso não vamos permitir que neste quadro alguns países utilizem práticas desleais de comércio, prejudicando a indústria brasileira’’.
Do aeroporto, Dornelles seguiu para a Câmara Municipal, onde teve uma reunião de trabalho com representantes de federações e sindicatos do comércio, indústria e agricultura da região e do Estado. O ministro almoçou na Casa da Amizade e depois reuniu-se novamente na Câmara, desta vez com o secretário da Indústria e do Comércio do Paraná, Nelson Justus, o prefeito Jairo Gianoto, de Maringá, prefeitos, vereadores e deputados.
Dornelles não quis falar à imprensa sobre política, embora tenha dito ao desembarcar que teria vindo a Maringá ‘‘para falar só de política’’. Afirmou também que veio para ouvir conselhos e aceitar sugestões de trabalho para sua pasta.
A primeira sugestão que ouviu foi do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, José Carlos Gomes de Carvalho. Assim que desceu do jatinho da FAB, Carvalhinho expôs a situação do Porto de Paranaguá ao ministro: ‘‘De um modo geral, os portos brasileiros são inibidores de nossas exportações. Temos que diminuir o custo Brasil e devemos começar com a diminuição dos custos de nossos portos’’.
O presidente da Fiep anunciou ainda que hoje estará em Brasília para conversar com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, para pedir o fim do bloqueio de empréstimos ao Paraná pela Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. ‘‘Não vou lá tratar de assuntos políticos, mas pedir justiça’’.’’.
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