Dornelles quer trabalhadores de volta a contratos formais
O ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, informou ontem que pretende começar nesta semana a discutir com sindicatos formas de atrair os trabalhadores que estão no mercado informal para o mercado formal. Em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Dornelles alertou que é grande o número de trabalhadores sem carteira assinada que não desejam voltar à formalidade.
Temos uma legislação cheia de direitos para os trabalhadores, mas que os trabalhadores não querem usar, disse o ministro em seu discurso, ao argumentar que uma causa do fenômeno é a grande burocracia da legislação trabalhista. Ele também lembrou que os salários pagos no mercado informal estão cada vez mais próximos do nível pago aos trabalhadores de carteira assinada que desempenham as mesmas funções.
Segundo Dornelles, pelo menos 40% dos trabalhadores brasileiros hoje estão no mercado informal. Deste total, 25% das pessoas empregadas e 75% das que têm negócios próprios não desejam integrar-se ao mercado formal, afirmou o ministro.
Dornelles afirmou que o governo não pretende impor nenhuma solução para combater a informalidade, e vai discutir soluções com as entidades patronais e trabalhistas.
Dornelles afirmou que novos empregos devem ser criados pelo aumento das exportações, substituição das importações no mercado interno, na agricultura, beneficiada pela desvalorização do real, e nas áreas de habitação e saneamento. Para o ministro, estas atividades devem atenuar o impacto do ajuste fiscal sobre o nível de emprego no Brasil.
O ministro não quis comentar se vai ou não haver reajuste do salário mínimo. Salário mínimo eu discuto em maio, afirmou. Ele previu, no entanto, que a economia deve começar o seu período de recuperação no início do primeiro semestre, após a estagnação esperada para o primeiro semestre, em consequência do pacote fiscal que o governo negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI).





