Dornelles prevê desastre com CPMF
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Agência Folha 
RIO DE JANEIRO - O ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, Francisco Dornelles, definiu ontem como um desastre a entrada em vigor em 23 de janeiro de 1997 da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Segundo Dornelles, serão muito negativos os efeitos da CPMF sobre as Bolsas de Valores e o mercado de capitais. A CPMF é arbitrária, retrógrada e uma das coisas mais atrasadas do circuito tributário do mundo, afirmou o ministro durante palestra promovida no Rio pelo Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças).
Dornelles previu que haverá transferência de investimentos para Bolsas de Valores e mercados estrangeiros. Nossa Bolsa vai para Nova York, disse. O ministro afirmou ter esperanças de que o Ministério da Fazenda reestude a decisão de implantar a CPMF. O ministro da Fazenda (Pedro Malan) é um dos economistas mais competentes do País. O Banco Central tem uma equipe de primeiro gabarito. Eles saberão medir o reflexo da CPMF no funcionamento das Bolsas de Valores, disse Dornelles.
Para o ministro, a cobrança da contribuição sobre movimentos financeiros é incompatível com o regime de estabilidade econômica. Dornelles afirmou que a CPMF é uma incidência que não convive bem com taxas de inflação reduzidas. Todas as vezes em que se tem inflação de 40, 50% ao mês ele (o imposto) desaparece. Agora, quando você tem taxas de inflação como a brasileira, que estão abaixo de 1%, a CPMF é realmente um peso, disse o ministro.
Com a cobrança da contribuição a partir de janeiro, as Bolsas de Valores e mercados financeiros do Brasil ficariam em desvantagem em relação a outros países onde não existem taxações, de acordo com a análise do ministro. Dornelles disse que os investimentos maciços de estrangeiros no Brasil nos próximos anos poderá ser prejudicada pela cobrança de CPMF.
Exportação A questão das exportações foi abordada pelo ministro, que anunciou a intenção do governo de diversificar a lista dos produtos brasileiros vendidos para fora. Vinte e cinco produtos representam metade das nossas exportações. Estamos lançando pólos de exportação para que pequenos e médios empresários participem, disse Dornelles. O objetivo do governo, afirmou o ministro, é criar no Brasil uma mentalidade de exportação. Temos que divulgar que exportar gera emprego e renda, disse.


