O ministro Francisco Dornelles (Trabalho) disse ontem que o prazo para a correção do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dependerá da fonte de recursos a ser usada. ‘‘O ideal seria fazer (a correção) em uma semana, se alguém me dissesse de onde vem o dinheiro para fazer em uma semana. O prazo vai depender muito do montante de recursos disponíveis’’, disse o ministro.
Dornelles participou ontem de um almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Dirigindo-se aos empresários presentes, o ministro pediu que eles apresentassem suas propostas sobre como fazer valer a decisão da Justiça, que determinou a correção do saldo do fundo relativo aos planos econômicos Verão e Collor 1. A decisão atinge 60 milhões de contas e deve custar cerca de R$ 40 bilhões.
‘‘Um expurgo de R$ 40 bilhões não pode ser coberto com intenções, agressões ou demagogia, mas por dinheiro. Temos que discutir de onde vai sair o dinheiro. Esse é o grande desafio’’, disse Dornelles, em discurso. ‘‘Estamos abertos a toda e qualquer solução, desde que fique claro que o fundo é privado, que pertence a empregadores e trabalhadores.’’
O governo apresentará suas propostas hoje em Brasília a centrais sindicais.
O ministro não quis comentar algumas das propostas do governo, como o uso da retenção da multa de 40% do FGTS, conforme mostrou a Agência Folha no último sábado.
‘‘Só posso falar de propostas amanhã. Sou leitor assíduo de jornais, mas faz 48 horas que não leio jornais, nem sei que propostas são essas’’, disse. Dornelles admite que dificilmente haverá um acordo hoje, mas se diz ‘‘otimista quanto a uma solução para breve’’.’’

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