Dornelles ataca projeções de desemprego industrial
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Das agências De São Paulo 
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, criticou ontem as pesquisas divulgadas nesta semana pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em que fazem previsões de aumento do desemprego em virtude da crise energética, da alta da taxa de juros, da oscilação do dólar e dos problemas no cenário internacional.
Não se deve lançar pânico sobre a sociedade. Lamento que existem pessoas que ficam pregando a catástrofe. A Fiesp deveria ser mais cautelosa e sensível em vez de ficar pregando que haverá aumento do desemprego. Segundo Dornelles, as previsões da Fiesp já foram desbancadas ontem mesmo por vários setores da indústria. Os setores têxtil e calçadista já informaram que não vão demitir funcionários. É preciso ser mais responsável com esse tipo de previsão alarmista.
Anteontem, a Fiesp informou que deverá haver nos próximos meses ajustes na indústria paulista, isto é, queda na produção, demissões, em alguns casos reajustes de preço e em outros redução da margem de lucro das empresas. No dia anterior, pesquisa da CNI feita com 918 indústrias de todo o País mostrou que, para 75,7% dos entrevistados, será preciso cortar a produção e, para 63,4%, será necessário reduzir o número de vagas.
Material em faltaA falta de materiais de construção no varejo será crítica a partir de agosto, segundo o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. A escassez já é notada nos materiais elétricos como lâmpadas, soquetes e fios. Conz justifica a previsão com o argumento de que a maioria dos fabricantes de material reduzirá a produção por causa do racionamento de energia elétrica. No setor cerâmico, por exemplo, o corte de produção será de 20%.
Outra razão para a falta de materiais, segundo o presidente da Anamaco, é a antecipação de compras pelo mercado revendedor, de modo a fazer estoque e precaver-se contra uma crise de abastecimento. Tudo isso inevitavelmente trará uma forte pressão para reajustar os preços, afirmou. Conz acredita que os reajustes se acentuarão já a partir de julho.


